Pega Essa Dica – Uma Batalha Após a Outra

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Em ‘Uma Batalha Após a Outra’, Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio) foi um jovem revolucionário político, integrante dos French 75 ao lado de sua companheira Perfidia (Teyana Taylor). Dezesseis anos depois de abandonar a luta e já vivendo a rotina comum ao lado da filha adolescente, Willa Ferguson (Chase Infiniti), Bob se vê perdido na meia-idade. Essa aparente normalidade, porém, é quebrada com o retorno de Steven J. Lockjaw (Sean Penn), antigo inimigo dos tempos de revolução, que força pai e filha a enfrentarem não apenas uma nova missão, mas também a difícil tarefa de se reencontrarem.

Escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, o longa de quase três horas se firma como um dos melhores lançamentos do ano, chegando em um momento oportuno graças à sua temática política, que é extremamente atual. A trama decide não se aprofundar tanto quanto poderia no tema abordado, mas para bom entendedor ela escancara bem a mensagem que quer passar: a de uma sociedade que, na era da informação, parece ter regredido algumas décadas. Imigração, racismo, maternidade, líderes extremistas são pequenas peças desse grande quebra-cabeça crítico que o filme constrói.

A direção de Paul Thomas surpreende bastante, acompanhada do belo ritmo do filme, que cresce e acelera a cada ato. A câmera acompanha perfeitamente o andamento dessa ação dramática, principalmente nas cenas de perseguição a pé e de carro que são impressionantemente bem dirigidas, deixando o espectador tenso a todo momento sem saber qual será o desfecho dessa corrida contra o tempo, unindo a uma trilha sonora que amplifica o medo e a tensão crescente das cenas. Assistir ao filme numa sessão em IMAX deixa a experiência ainda mais marcante, mesmo não sendo gravado com esse recurso e apenas em 70mm (o que valoriza a fotografia anos 70 da obra), a transição para as telonas em IMAX enriquece a imersão. O drama e a comédia no filme se complementam de uma maneira tão bem escrita que chega a ser difícil diferenciar, de fato, o tom de uma cena para outra. O peso dramático e a ironia cômica se equilibram e dão o ritmo perfeito diante de toda a ação exibida na tela.

As atuações brilhantes de DiCaprio e Sean Penn são o grande realce do filme, junto com o roteiro, que consegue satirizar bem os protagonistas na medida certa enquanto equilibra a “dramédia” de suas interpretações, atuações que certamente terão bastante reconhecimento durante a próxima temporada de premiações. DiCaprio entrega um personagem marcado pelas decepções da meia-idade, que encontra abrigo no álcool e nas drogas enquanto carrega os demônios do passado e o medo constante de perder a filha; o ator traz uma interpretação tão natural, cômica e desesperada que nem enxergamos mais Leonardo na tela. Já Penn constrói um antagonista caricato e contraditório: um militar preconceituoso, que tenta esconder seus atos e escolhas apenas para pertencer a um grupo político extremista que se define como “raça pura”. A grande sátira do filme fica sob sua responsabilidade, e ele entrega uma das melhores atuações da carreira, presunçoso, orgulhoso e ridículo na medida certa. Já o peso emocional recai sobre Chase Infiniti, que interpreta uma jovem perdida em meio ao caos, mas que se encontra triunfalmente e se destaca como símbolo de uma nova geração de revolucionários. Sua presença traz uma forte carga emocional, especialmente na cena final, que chega a ser uma das melhores de todo o longa. Outro destaque vai para o Sensei Sergio (Benicio Del Toro), mestre de artes marciais da filha de Bob e infiltrado da revolução, incumbido de proteger a família em meio ao caos. Ele é quem mobiliza uma quantidade considerável de pessoas e recursos para ajudar Bob a encontrar Willa, e a dinâmica da dupla rende boas gargalhadas, enquanto Bob vive desesperado, o Sensei mantém a calma absoluta, e essa oposição cria um contraste perfeito.

No mundo em que vivemos atualmente, ‘Uma Batalha Após A Outra’ é um filme caótico que certamente terá grande repercussão. Sua trama bem ritmada, tensa e acelerada do começo ao fim prende qualquer espectador assíduo por um bom filme de ação com toques de comédia e drama. Uma história rica e atual, com uma fotografia impressionante e um dos melhores textos da carreira do diretor. Um ótimo acerto de Paul Thomas Anderson para o cinema contemporâneo, que sem dúvida será lembrado nas próximas premiações.

Nota: 10/10

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