Sabe aquele tipo de filme que parece prometer um thriller eletrizante, digno de um “assalto perfeito”, mas acaba te levando por um caminho muito mais introspectivo, quase contemplativo demais? Pois é… foi exatamente essa a minha sensação ao assistir The Mastermind.
A trama se passa nos anos 1970, e já começa com um contexto histórico interessante: em plena luz do dia, Mooney e dois cúmplices entram em um museu e simplesmente roubam quatro quadros valiosíssimos — assim, sem máscaras, sem alarde. É um crime audacioso que já cria expectativa de tensão e reviravoltas. Só que… o que vem depois não é exatamente o que eu imaginava.

O longa se propõe a desconstruir o gênero de filmes de assalto. Em vez de focar no plano mirabolante ou nas perseguições policiais, ele mergulha na fragilidade humana, mostrando que roubar pode até ser fácil, mas sustentar o roubo é que vira o verdadeiro inferno. Mooney é jogado em uma vida de fuga constante, preso entre a ilusão do dinheiro fácil e a dura realidade das consequências.
Visualmente, o filme é impecável. A fotografia é muito bem trabalhada, com tons terrosos e granulação que remetem perfeitamente à década de 70. Cada enquadramento parece pensado para te transportar no tempo — dá pra sentir a época em cada detalhe, desde os figurinos até os carros e a ambientação dos museus.
Mas… (e aqui vem o “mas” enorme)
A narrativa é extremamente lenta. Sério, tem cenas que parecem existir apenas para preencher tempo de tela. A ação demora demais para acontecer, e quando finalmente chega, é quase como se fosse tarde demais: eu já estava cansada de esperar. O roteiro tem momentos bons, com reflexões interessantes sobre moral, culpa e ambição… porém, no geral, o ritmo é arrastado.

É aquele tipo de filme bem cult, sabe? Aquelas produções que parecem feitas mais para festivais do que para prender o público em uma sala de cinema. Não que isso seja ruim — tem quem ame! —, mas pra mim, ficou faltando aquele “tchan”, aquele gancho que te faz grudar na poltrona.
Outro ponto que me incomodou foi a presença de algumas cenas completamente desnecessárias. Conversas longas que não acrescentam muito, silêncios excessivos e momentos em que parece que o diretor quis mais “encher” do que contar.

No fim das contas, The Mastermind é um filme visualmente lindo, com uma proposta interessante de explorar as consequências humanas de um grande roubo — mas peca no ritmo, na fluidez e no poder de engajamento.
Se você ama cinema de arte, com narrativa lenta e foco psicológico, pode ser que esse filme seja seu prato cheio. Mas se está esperando um suspense dinâmico e cheio de reviravoltas… talvez seja melhor ajustar as expectativas antes de sentar na poltrona.

