O Som da Morte parte de uma premissa simples e curiosa. Um grupo de estudantes que não se encaixa nos padrões do colégio encontra um antigo artefato amaldiçoado. A regra é clara e assustadora. Quem toca no objeto e quem está por perto e ouve o som passa a carregar a maldição. A partir daí, a forma como essa pessoa irá morrer no futuro começa a se manifestar no presente, como uma perseguição constante que antecipa esse destino.

A trama acompanha a volta de Chrys, vivida por Dafne Keen, à sua cidade natal após receber alta de uma internação causada por overdose. Aos poucos, o filme revela que esse passado tem consequências importantes para a história. Chrys vai morar na casa do primo Rel, interpretado por Sky Yang, um típico nerd apaixonado por uma das garotas mais populares da escola. Junto a eles está Ellie Gains, papel de Sophie Nélisse, uma aluna carismática que transita entre os populares e os excluídos. Esse trio é quem assume a missão de tentar quebrar a maldição que começa a atingir todos ao redor.

O filme aposta muito mais na atmosfera de suspense do que em sustos fáceis. A condução lembra bastante os terrores dos anos 1990 e 2000, com foco na tensão crescente, na curiosidade do público e na construção do mistério. Existe um clima constante de perseguição invisível que mantém o espectador atento, querendo entender como os personagens vão escapar de um destino que parece inevitável.
A direção é de Corin, conhecido por trabalhos como O Sagrado (2015), A Freira (2018) e a série Gangues de Londres (2020). Já o roteirista Owen revelou em entrevistas que buscou inspiração em Premonição e Clube dos Cinco (1985). Essa influência é perceptível tanto na ideia da morte como uma força inevitável quanto no ambiente escolar, explorando conflitos sociais, culturais e sexuais entre os adolescentes.
O foco da narrativa está quase sempre na maldição e em suas consequências. A comparação com Premonição é inevitável, principalmente pela ideia da morte perseguindo suas vítimas. Ao mesmo tempo, a ambientação estudantil e a trilha sonora com rock e baladas remetem diretamente aos filmes de terror nostálgicos dos anos 2000.
Apesar de ter uma proposta interessante e uma boa atmosfera, o filme apresenta alguns furos no roteiro que enfraquecem a experiência. Em certos momentos, as regras da maldição parecem confusas e algumas decisões dos personagens soam pouco convincentes. As atuações, por outro lado, são satisfatórias e ajudam a manter o envolvimento com a história, especialmente o trio principal, que sustenta boa parte do interesse do público.
Vale destacar que o filme possui uma cena pós crédito que deixa um gancho claro para uma possível continuação, sugerindo que a maldição ainda está longe de chegar ao fim.
O Som da Morte é um suspense regular, que prende a atenção pela curiosidade em saber como tudo será resolvido, mas que não consegue explorar todo o potencial de sua própria ideia.

