A olhar a frase de chamada ‘Sinta a explosão’ no Cartaz de Sirāt não dei muita atenção, porém nos minutos finais o filme faz jus à frase.
Dirigido pelo francês Oliver Laxe, o filme nos coloca em uma rave no deserto onde Luis (Sergi Lopez) junto de seu filho Esteban (Bruno Núnez) procuram por uma garota chamada Mar, sumida a alguns meses que saiu de casa pra frequentar esse tipo de festa.

Com um excelente som para as músicas eletrônicas somos envolvidos em cenas sem diálogos onde os objetivos dos personagens são esclarecidos em olhares, gestos e objetos na narrativa.
Uma foto é mostrada de pessoa para pessoa, a vastidão do deserto é mostrada, os olhares suspeitos ou de empatia são focados…
Em 15 minutos de filme o espectador ja se encontra familiarizado com o grupo de personagens que fará parte da jornada e da história que acontecerá, uma guerra é anunciada fora da nossa visão, outra festa é esperada em um lugar mais ao sul daquele deserto, situado no Marrocos.
Os nomes dos 5 personagens são dados de acordo com os respectivos atores temos a simpática Jade (Jade Oukid), a mais sensata Stef (Stefania Gadda), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy) e Josh (Joshua Liam Henderson).
O filme transita por três idiomas árabe, espanhol e francês, nos dando uma dinâmica da globalização do lugar mesmo isolado muito diversificado, a guerra é vista como algo além do horizonte assim como a próxima rave que é prometida ao lado oposto de onde os eventos catastróficos estão acontecendo,nos dando uma sensação de alívio pelo distanciamento dos mencionados conflitos.

A cinematografia retrata bem o clima árido seja plano ou montanhoso sempre há isolamento em contraste com a multidão ou aos horizontes que tocam o céu, muito influenciado por filmes que se passam nesse tipo de cenário de Lawrence da Arábia a Mad Max.
Os carros e caminhões são personagens também, abrigam do sol, protegem dos ventos e da chuva onde a música eletrônica dá uma pausa para focar nos sons da natureza hostil que se encontra do lado de fora.

Os minutos finais do filme são carregados de tensão, sentimos a explosão como dita no cartaz e as explosões foram feitas realmente para isso, o silêncio absoluto com explosões sempre de surpresa me fizeram pular da cadeira, mesmo o esperado se torna inesperado com os sons muito bem mixados à idéia de perigo iminente, me deixaram encolhido na poltrona com nervos à flor da pele, pela segurança dos personagens que nos cativaram nessa jornada.
Para quem está na expectativa das premiações do Oscar e ressaca pós-carnaval, fica a recomendação de um filme que mexe com muitos sentidos e não deixa a desejar até os créditos finais subirem, e o silêncio da sala de cinema ser sentido como um sentimento aguçado de silêncio absoluto acompanhado de uma música de rave.

