Pega Essa Dica – Golpe Explosivo

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Golpe Explosivo, dirigido por David Mackenzie, acompanha um grupo de assaltantes que decide aproveitar o caos instaurado após a descoberta de uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial em uma obra no centro de Londres. Enquanto milhares de pessoas são evacuadas e uma grande operação policial e militar tenta controlar a situação, um grupo de criminosos liderados por Carales utiliza a distração coletiva para colocar em prática um ousado roubo de joias. Paralelamente, acompanhamos Will e sua equipe, responsáveis por investigar e tentar desarmar a bomba antes que a situação saia completamente do controle.

À primeira vista, o filme parece seguir aquela fórmula clássica de ação envolvendo bombas, perseguições e assaltos mirabolantes. Mas, honestamente, ele consegue surpreender mais do que eu esperava. Existe um cuidado interessante em não entregar toda a trama logo de cara. O roteiro guarda algumas revelações e pequenas armadilhas narrativas que deixam a experiência mais dinâmica e menos previsível, algo que considero raro dentro desse tipo de filme.

Uma das coisas que mais me chamou atenção foi justamente a estrutura narrativa. O filme constantemente cria a sensação de encerramento, como se estivesse chegando ao clímax, mas sempre adiciona uma nova camada à história. Isso pode funcionar de maneira muito interessante em alguns momentos, principalmente pelos plot twists e pelas conexões entre os personagens, mas também acaba deixando o ritmo um pouco irregular. Há trechos em que a narrativa parece se alongar além do necessário.

Ainda assim, existe uma qualidade muito forte na forma como o roteiro constrói seus personagens. O filme evita trabalhar com uma divisão simplista entre heróis e vilões. Ninguém ali é completamente bom ou completamente mau todos parecem agir dentro de interesses próprios, medos e circunstâncias muito humanas. Isso dá uma camada mais interessante à trama e impede que ela caia naquele maniqueísmo comum dos filmes de ação tradicionais.

Por outro lado, senti falta de um aprofundamento maior em algumas motivações. Certas relações entre personagens são reveladas em momentos que, para mim, não funcionam tão bem dramaticamente. Parece que algumas informações importantes chegam tarde demais, quando já seria mais interessante emocionalmente compreender determinadas conexões. Em alguns momentos, tive a sensação de que o filme estava mais preocupado em manter o movimento constante da ação do que em desenvolver emocionalmente os personagens.

E falando em ação, acho que aí está um dos aspectos mais curiosos do longa ele entrega muita movimentação, explosões e perseguições, mas não necessariamente tensão. Mesmo trabalhando com o perigo iminente de uma bomba prestes a explodir, eu nunca realmente me senti encurralada ou angustiada. Existe espetáculo visual, existem cenas grandes muito bem executadas, mas faltou aquele peso sonoro e emocional que normalmente faz filmes desse tipo parecerem sufocantes. Inclusive, acredito que o design de som seja um dos pontos mais fracos do filme. Para uma narrativa baseada em urgência e explosões, o som não consegue criar a pressão necessária.

A trilha sonora também foge um pouco do padrão esperado para filmes de ação envolvendo terrorismo ou bombas. Isso dá personalidade ao longa e ajuda a diferenciá-lo visualmente e esteticamente, mas talvez também contribua para essa sensação de menor tensão. O filme parece mais interessado em construir um jogo narrativo e visual do que propriamente em provocar ansiedade no espectador.

Outro ponto que me dividiu foi a tentativa de inserir uma carga dramática maior no personagem de Will. Existe uma construção emocional ali que claramente tenta aprofundar o protagonista, mas que acaba não sendo totalmente desenvolvida. Por isso, em alguns momentos, parece mais um elemento colocado para gerar impacto rápido do que algo realmente essencial para a trama.

Apesar dessas falhas, Golpe Explosivo continua sendo um filme interessante justamente porque tenta sair um pouco do lugar-comum do gênero. As cenas de ação são bem realizadas, as explosões funcionam visualmente e o elenco entrega boas atuações. O grande mérito do filme está em trazer uma abordagem de ação mais diferenciada, menos preocupada em criar heróis perfeitos e mais focada em personagens falhos tentando sobreviver ao caos.

No fim, acho que é um filme que funciona muito mais pela construção narrativa e pelas surpresas do roteiro do que pela tensão em si. Ele acerta bastante ao criar situações inteligentes e ao fugir de algumas convenções do gênero, mas perde força quando deixa o desenvolvimento dos personagens em segundo plano. Ainda assim, é uma experiência interessante para quem gosta de filmes de ação que tentam brincar um pouco mais com estrutura e expectativa do público.