A Última Casa tinha tudo para funcionar. A premissa é interessante e o elenco conta com Wagner Moura e Greta Lee, dois atores excelentes que poderiam entregar muito mais. Infelizmente, o filme desperdiça completamente seu potencial e, para mim, se tornou facilmente um dos piores filmes do ano.

A história acompanha uma família que fica presa dentro da própria casa, sem conseguir sair e sem entender exatamente o que está acontecendo. Enquanto tentam descobrir uma maneira de escapar, precisam lidar com a falta de recursos e com uma ameaça que transforma o ambiente onde deveriam estar seguros em uma verdadeira prisão. A ideia é simples, mas poderia render um excelente suspense claustrofóbico.
O grande problema está no roteiro de Matthew Robinson. A história parece não saber para onde quer ir e, quanto mais tenta explicar seus mistérios, mais sem lógica tudo fica. São inúmeras situações que acontecem simplesmente porque o roteiro precisa que aconteçam, sem uma construção convincente. As decisões dos personagens muitas vezes não fazem sentido e os acontecimentos parecem seguir regras diferentes dependendo da cena.
Os erros de continuidade são ainda mais absurdos. Em determinado momento, passam-se anos e fica difícil entender como algumas coisas continuam existindo. Se a família já não tinha mais nenhum tipo de alimento dentro da casa, como conseguiu manter gasolina disponível? Como conseguiram plantar e produzir alimentos durante esse período? O filme simplesmente passa por essas questões sem apresentar uma explicação minimamente convincente.

E existe um problema ainda mais evidente com a idade dos filhos. A filha aparenta ter aproximadamente 5 ou 6 anos no início da história. Depois de um salto temporal de cinco anos, ela aparece aparentemente com cerca de 15 anos. O irmão, que já era consideravelmente mais velho do que ela, também parece ter praticamente a mesma idade. É um erro de continuidade e de escala temporal que chama muita atenção e prejudica ainda mais a credibilidade da história.
A direção de Louis Leterrier tenta criar tensão utilizando o espaço limitado da casa, mas não consegue compensar os problemas do roteiro. O diretor de Fúria de Titãs, Truque de Mestre e Velozes & Furiosos 10 sabe trabalhar com ação e suspense, mas aqui parece estar preso a um material que não oferece sustentação suficiente. Existem momentos visualmente interessantes e algumas tentativas de criar tensão, mas tudo perde força quando a história começa a desmoronar.
Outro ponto que me incomodou muito foi a sequência envolvendo o cachorro. A morte do animal é completamente desnecessária. O filme poderia simplesmente mostrar que o cachorro estava doente, trabalhar o drama da família diante da situação e, em uma cena posterior, mostrar os personagens lembrando dele com saudade. Isso já seria suficiente para transmitir a passagem do tempo, a perda e o sofrimento daquela família.
Mas não. O filme escolhe mostrar o cachorro sendo morto a tiros e, depois, ainda coloca a possibilidade de eles comerem o animal. E a pergunta que fica é: por quê? Qual era a necessidade de mostrar o cachorro sendo morto dessa maneira? O que isso acrescenta à história? A sequência parece existir apenas para chocar e provocar desconforto, sem realmente contribuir para o desenvolvimento dos personagens ou da narrativa.

E, infelizmente, esse não é um caso isolado. A sequência de mortes de animais ao longo do filme é desnecessária e exagerada. Em vez de utilizar esses acontecimentos para construir o drama da família, o roteiro parece acreditar que mostrar sofrimento de forma explícita automaticamente tornará a história mais pesada. Não torna. Apenas torna a experiência mais desagradável.
O terceiro ato é, para mim, onde o filme realmente desmorona. Tudo vira uma grande bagunça, com acontecimentos que parecem surgir do nada e explicações que não conseguem justificar aquilo que acabamos de assistir. O filme passa boa parte da duração criando perguntas, mas quando finalmente chega o momento de respondê-las, entrega uma conclusão confusa, sem lógica e extremamente frustrante.
É justamente no final que fica mais evidente o quanto o roteiro não conseguiu estabelecer regras para o próprio universo. Em vez de amarrar as pontas e fazer o espectador entender o que estava acontecendo, o terceiro ato apenas aumenta a confusão. É uma sequência de acontecimentos que parece ter sido criada para chegar a um final específico, independentemente de fazer sentido ou não.

O elenco também acaba sendo desperdiçado. Wagner Moura e Greta Lee são ótimos atores, mas recebem personagens pouco desenvolvidos e presos a um roteiro cheio de decisões questionáveis. Eles conseguem entregar bons momentos individualmente, mas não há material suficiente para transformar essas atuações em algo realmente marcante.
A Última Casa tinha uma premissa que poderia render um ótimo suspense de sobrevivência, é facilmente um dos piores filmes do ano. Uma ideia interessante completamente desperdiçada por um roteiro péssimo, cheio de furos, erros de continuidade e decisões que parecem não ter qualquer propósito. O filme começa com uma premissa capaz de prender o espectador, mas termina em uma bagunça sem explicação que deixa muito mais perguntas do que respostas.

