Um filme típico de comédia romântica de sessão da tarde.
O longa é uma daquelas surpresas que mostram como uma história clássica pode ganhar uma nova vida quando existe coragem para reinventá-la. Em vez de simplesmente reproduzir a tragédia de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe, o diretor e roteirista José Avelino Gilles Corbett Lourenço transforma o material em uma comédia romântica moderna, leve, inteligente e cheia de personalidade.

A história acompanha Werther, interpretado por Douglas Booth, um jovem escritor carismático que chega a Toronto e conhece Charlotte, vivida por Alison Pill. O encontro é intenso para ele, mas existe um problema: Charlotte está noiva de Albert, personagem de Patrick J. Adams. A partir daí, Werther decide se aproximar cada vez mais dela, criando uma aventura que mistura romance, humor, amizade e algumas decisões bastante questionáveis.
Douglas Booth é um dos grandes responsáveis pelo filme funcionar tão bem. O ator consegue fazer de Werther um personagem apaixonado, impulsivo e até inconveniente sem torná-lo desagradável. Alison Pill também está excelente, dando personalidade à Charlotte, enquanto Patrick J. Adams surpreende ao transformar Albert em alguém muito mais interessante do que o tradicional rival romântico.

O roteiro é outro grande acerto. Lourenço entende que não precisava transportar Goethe literalmente para o cinema. A solução é atualizar os conflitos, acelerar os diálogos e colocar os personagens dentro de uma dinâmica muito mais próxima das comédias românticas contemporâneas.
Na direção, Lourenço demonstra segurança para conduzir seu primeiro longa-metragem. O filme tem uma estética agradável, bons enquadramentos e aproveita Toronto como parte da narrativa, criando uma atmosfera leve e descontraída que combina perfeitamente com a proposta da história.

Nem tudo funciona perfeitamente. Algumas passagens poderiam ter um desenvolvimento mais equilibrado e determinados momentos acabam quebrando um pouco o ritmo. Ainda assim, são problemas pequenos diante do conjunto.
(Quase) O Amor da Minha Vida é charmoso, divertido, visualmente bonito e muito bem interpretado. É uma adaptação que entende que respeitar uma obra clássica não significa necessariamente reproduzi-la exatamente como foi escrita. Para quem gosta de comédias românticas com personagens carismáticos, diálogos rápidos e uma boa dose de humor, o filme entrega exatamente o que promete. Com distribuição da PLAYARTE, (Quase) O Amor da Minha Vida estreia nos cinemas no dia 3 de setembro.

