Dirigido por Paolo Genovese, Primeiro Encontro acompanha o momento em que Piero (Edoardo Leo) e Lara (Pilar Fogliati) decidem se conhecer pessoalmente pela primeira vez. Dentro do apartamento dela, o que parecia ser apenas um encontro comum logo se transforma em algo muito mais complexo cada gesto, palavra ou silêncio é influenciado por uma verdadeira galeria de figuras imaginárias que habitam a mente dos dois. O filme mergulha literalmente nos pensamentos de cada personagem, revelando suas inseguranças, desejos, medos e contradições. Aos poucos, essas batalhas internas se transformam em revelações e mal-entendidos extremamente desconfortáveis e justamente por isso tão humanos.
Eu já adianto amei esse filme. Pra mim, é facilmente um dos melhores que assisti este ano. O conceito lembra Divertidamente, mas aqui com uma abordagem adulta, irônica e muito mais ácida. Os personagens que vivem dentro da cabeça de Piero e Lara são propositalmente estereotipados quase como conselheiros ou personificações dos pensamentos e funcionam como um coro caótico que debate, protesta e aprova cada mínima decisão. Nenhuma escolha passa despercebida. Tudo é discutido em um ritmo frenético que determina o que eles vão dizer ou fazer a seguir.

Essas cenas internas dão um tom completamente novo ao romance, criando um contraste cômico entre o que os personagens realmente sentem e o que conseguem expressar. Muitas vezes, o que sai da boca deles está a quilômetros de distância do que está sendo gritado dentro de suas mentes e é aí que mora grande parte do humor e da identificação com o público.
O primeiro encontro do casal é estranho em vários sentidos, mas quando entendemos o que se passa na cabeça de cada um, tudo começa a fazer sentido. O filme constrói um retrato muito honesto sobre as relações humanas, mostrando como cada mínima decisão pode definir se uma história continua ou termina ali mesmo, naquela noite.
Eu gostei muito da escolha do diretor em mostrar como funcionam os pensamentos de cada personagem e, principalmente, de alternar tão bem entre o ponto de vista feminino e masculino. Primeiro Encontro tinha tudo para ser um filme cansativo um único cenário, duas pessoas conversando, diálogos aparentemente soltos. Ainda assim, Paolo Genovese consegue transformar essa limitação em força, criando um filme absurdamente interessante, dinâmico e muito divertido.

O elenco está impecável. Todos trazem leveza aos personagens, e fica claro que houve um envolvimento genuíno no processo parece que todos se divertiram em cena. Os conflitos femininos e masculinos são apresentados a partir do mesmo tema, mas sob perspectivas completamente diferentes, sempre com muito humor e sensibilidade. Um detalhe que me encantou foi o uso dos figurinos, que ajudam a reforçar os estereótipos de cada personagem interno. Para um filme com essa proposta, isso não só funciona como é essencial para a leitura rápida de quem é quem dentro daquela bagunça mental.
O roteiro é muito bem construído. Mesmo sendo inevitável a comparação com Divertidamente, aqui temos uma abordagem adulta, focada em um momento extremamente específico o início de um envolvimento romântico. E, apesar das reações dos personagens internos muitas vezes serem óbvias, as atitudes do casal nunca são.
Primeiro Encontro é um filme perfeito para quem quer desligar a cabeça ele é leve e provocativo ao mesmo tempo, te envolve na história e te faz questionar, junto com os personagens, se aquilo vai dar em alguma coisa ou não.

