Pega Essa Dica – Operação 49

cinema Crítica Cinema filme Pega Essa Dica Pega Essa Novidade Tv Pega Essa

Dirigido por Hakan Inan, Operação 49 conta a história de membros do MIT que se mobilizam para resgatar 49 funcionários feitos prisioneiros no consulado turco, após a invasão do ISIS à cidade de Mosul, em 11 de junho de 2014.

Desde o início, já é esperado que o filme seja pesado e violento, e o diretor faz questão de não suavizar essa experiência em nenhum momento. Há cenas de violência explícita, pessoas de todas as idades submetidas a situações desumanas e homens que se colocam como líderes, dispostos a morrer pelo ideal que criaram em suas próprias mentes. O que torna tudo ainda mais difícil de assistir é a consciência de que isso de fato aconteceu  e, infelizmente, continua acontecendo. O choque causado pelo filme não parece gratuito não é “mais um filme para chocar”, mas sim uma tentativa de retratar uma realidade brutal e ainda muito presente.

O longa é bastante extenso e, em alguns momentos, poderia ser mais direto. A sensação é de que a história não precisaria se alongar tanto para causar o impacto desejado. Ainda assim, o roteiro é bem construído, com diálogos fortes e personagens que deixam claro, o tempo todo, o quanto estão dispostos a morrer pelo que acreditam. Há sim momentos mais convenientes dentro da narrativa, mas, no fim, isso acaba se tornando irrelevante o espectador só deseja que toda aquela dor e sofrimento finalmente tenham um fim.

O elenco, no geral, funciona muito bem. Algumas atuações de soldados soam um pouco forçadas em determinados momentos, mas fica a dúvida se essa impressão não vem de uma diferença cultural. As reações são extremamente intensas e expressivas, alternando entre explosões emocionais e momentos de frieza absoluta. Em uma cena específica, quando um dos personagens é ferido, as reações parecem quase robóticas, o que pode causar certo estranhamento.

Visualmente, o filme carrega uma estética de guerra quase apocalíptica. O cenário é sujo, opressivo, mal iluminado, refletindo as condições precárias e a tensão constante em que os personagens vivem. A sujeira, a escuridão e o caos fazem parte da narrativa. Em contraste, as cenas que se passam nos escritórios, onde acontecem as negociações dos sequestros, apresentam um ambiente completamente diferente e essa diferença gritante reforça o abismo entre quem sofre diretamente a violência e quem tenta controlá-la à distância.

Operação 49 é um filme relevante por registrar esse momento histórico e funcionar como um alerta tudo isso ainda acontece. Ao mesmo tempo, é uma experiência extremamente dura de assistir, especialmente pelo olhar lançado sobre as vítimas. A tensão se mantém do início ao fim, e o filme não oferece alívio fácil. Não é uma obra confortável, nem pretende ser é um retrato doloroso, incômodo é necessário.