Mais um filme de Pinóquio…. Pra que?
Tentando revisitar um dos personagens mais conhecidos da literatura infantil. Pinóquio (2026), dirigido por Igor Voloshin, aposta em uma abordagem visual grandiosa e em uma releitura que mistura tradição europeia com elementos da cultura russa. O roteiro assinado por Aksinya Borisova, Alina Tyazhlova e Andrey Zolotarev não se limita apenas ao conto clássico, buscando também inspiração em outra obra literária que reinterpreta essa história tão conhecida.

Na trama, o carpinteiro Gepeto constrói um boneco de madeira e, ao fazer um desejo, vê sua criação ganhar vida. Assim nasce Pinóquio, que passa a explorar o mundo pela primeira vez enquanto enfrenta perigos, tentações e descobertas que vão moldar seu caráter. Ao longo da jornada, o protagonista aprende lições sobre responsabilidade, amizade e o que realmente significa tornar-se humano.
Diferente de muitas adaptações anteriores, o filme também bebe da fonte de The Golden Key, or The Adventures of Buratino, obra escrita por Alexei Tolstoy, que por sua vez reinterpretou o clássico As aventuras de Pinóquio de Carlo Collodi. Essa influência faz com que o personagem se aproxime da figura de Buratino, bastante popular na cultura russa, trazendo algumas diferenças na personalidade e na forma como a aventura se desenvolve.
Visualmente, o filme chama bastante atenção. A fotografia aposta em um estilo diferente das versões mais conhecidas do personagem, com cores menos vibrantes e uma atmosfera mais suave e quase melancólica em alguns momentos. O resultado é um visual muito bonito, com cenários detalhados e uma estética que mistura fantasia clássica com um toque mais teatral. A produção também mistura atores reais com efeitos digitais para dar vida ao boneco e aos elementos fantásticos da história, e em alguns momentos aposta discretamente em números musicais que reforçam o clima de conto de fadas.

Assim como praticamente todas as versões anteriores da história, este novo Pinóquio provavelmente também dividirá opiniões. Desde o clássico Pinocchio (1940), passando pela releitura sombria de Guillermo del Toro’s Pinocchio e até o live-action Pinocchio (2022), cada adaptação gerou reações muito diferentes do público e da crítica. Alguns espectadores tendem a abraçar novas interpretações do personagem, enquanto outros preferem as versões mais tradicionais. Eu, particularmente, tenho um carinho enorme por As aventuras de Pinóquio (1996), que assisti muitas vezes durante a minha infância.
O ritmo do filme, no entanto, pode ser um problema para parte do público. A narrativa é um pouco arrastada e em vários momentos falta algum elemento de surpresa ou de aventura que realmente prenda a atenção do espectador. Mesmo com uma proposta visual interessante, a história avança de forma bastante calma e sem grandes picos dramáticos que façam o público se envolver completamente com a jornada do personagem.

No fim, Pinóquio (2026) não tenta competir diretamente com versões icônicas do personagem,não chega ser inferior e longe de ser superior, mas apresentar uma nova perspectiva baseada em outra tradição literária. É uma adaptação curiosa e visualmente ambiciosa que mostra como a história criada por Collodi continua sendo reinterpretada por diferentes culturas e gerações do cinema.

