Proud (lançada no Brasil como Orgulho) é uma minissérie dramática polonesa que acompanha Filip, um jovem modelo gay cuja vida despreocupada vira de cabeça para baixo quando uma tragédia familiar o obriga a assumir a guarda de um bebê. A produção de 8 episódios aborda luto, amadurecimento e rede de apoio. O primeiro episódio de Proud (Orgulho) já deixa claro que não estamos diante de uma história simples sobre descoberta ou aceitação. A série polonesa mergulha de cabeça nas feridas emocionais do seu protagonista, um jovem gay que parece viver constantemente em fuga de si mesmo.

Logo nos primeiros minutos, somos apresentados a Filip (Ignacy Liss) um homem que se entrega às festas, ao sexo, às drogas e a uma rotina marcada pela irresponsabilidade. Mas a série tem o cuidado de não transformar esses comportamentos em mera rebeldia. Aos poucos, entendemos que existe uma dor muito mais profunda por trás de cada decisão impulsiva: o abandono do pai. Essa ausência moldou quem ele é, criando um vazio que ele tenta preencher da pior maneira possível. Mesmo perdido em seus excessos, Filip demonstra um lado extremamente humano na relação com sua irmã Anna (Sylwia Boron). Os dois possuem uma conexão genuína e afetuosa, e fica evidente o quanto ele a ama.
No entanto, seu amor nem sempre é suficiente para compensar sua imaturidade e sua dificuldade em assumir responsabilidades, especialmente quando sua sobrinha também faz parte dessa dinâmica familiar. Visualmente, o episódio é um espetáculo. A fotografia é simplesmente deslumbrante, utilizando luzes, sombras e cores para transmitir tanto o glamour quanto a solidão da vida do protagonista. Um dos momentos mais marcantes acontece logo na abertura, quando ele segue para uma orgia enquanto toca ao fundo uma versão lenta, sensual e quase hipnótica de Toxic, de Britney Spears.

A sequência é linda, provocante e melancólica ao mesmo tempo, resumindo perfeitamente o estado emocional do personagem. A direção também merece destaque. Cada cena parece cuidadosamente construída para nos aproximar dos sentimentos dos personagens sem precisar recorrer a explicações excessivas. Existe uma confiança na narrativa visual que torna tudo mais impactante. E então chega o final. De forma abrupta e devastadora, a série encerra o episódio com uma ligação de uma médica informando que sua irmã morreu. É um daqueles momentos que tiram o chão do espectador.
Depois de acompanhar o protagonista tentando escapar dos próprios traumas durante todo o episódio, somos confrontados com uma tragédia que promete mudar completamente sua vida. Proud (Orgulho) inicia sua trajetória com um episódio poderoso, visualmente impecável e emocionalmente devastador. Uma estreia que não apenas chama atenção, mas também deixa uma enorme vontade de descobrir como seu protagonista irá lidar com uma dor que parece grande demais até para alguém acostumado a fugir dela.

