Um filme dos anos 90 em pleno 2026.
Dirigido por Max Minghella, que também participa da produção do filme, e com roteiro de Jack Stanley, Segredo Obscuro (Shell) é aquele tipo de produção que parece ter saído de uma cápsula do tempo. Assistindo ao longa, tive a sensação de estar vendo um filme dos anos 90 ou início dos anos 2000, daqueles que passavam na Sessão da Tarde ou nas madrugadas da TV aberta e acabavam ganhando status cult anos depois.

A história acompanha Samantha Lake, uma atriz em decadência que é atraída para o universo luxuoso de Zoe Shannon, CEO de uma poderosa empresa de beleza e bem-estar chamada Shell. Quando clientes da empresa começam a desaparecer misteriosamente, Samantha passa a investigar e descobre que existe algo muito mais sombrio por trás da promessa de juventude e perfeição.
A trama mistura elementos que lembram bastante A Mosca e A Substância, explorando transformações físicas, obsessão pela juventude e os limites da vaidade humana. Porém, diferente do filme de Coralie Fargeat, aqui tudo é conduzido de forma mais leve, mais pop e menos perturbadora.

Outra referência impossível de ignorar é A Morte Lhe Cai Bem. A sátira sobre a busca pela juventude eterna, o humor ácido e até mesmo o tom exagerado remetem ao clássico estrelado por Goldie Hawn. Curiosamente, assistir Kate Hudson nesse universo cria uma conexão ainda mais interessante, já que ela é filha de Goldie Hawn, tornando a homenagem quase uma passagem de bastão entre gerações.
O maior acerto do filme está justamente em sua estética. O visual retrô, os efeitos práticos e a clara homenagem aos filmes de terror e ficção científica dos anos 80 e 90 fazem de Segredo Obscuro uma verdadeira carta de amor ao cinema B. Há um charme nostálgico em cada cena, como se o longa tivesse sido produzido décadas atrás e apenas lançado agora.

Por outro lado, essa mesma nostalgia acaba limitando a produção. O roteiro apresenta ideias interessantes sobre fama, envelhecimento e padrões de beleza, mas raramente se aprofunda nelas. Em diversos momentos, o filme parece satisfeito em apenas reproduzir referências que já vimos antes, sem encontrar uma identidade própria.
As atuações são um caso curioso. Elisabeth Moss e Kate Hudson estão ótimas e entregam performances totalmente comprometidas com o tom da obra. No entanto, existe uma estranha sensação de que os papéis são pequenos demais para elas. São personagens que lembram filmes de início de carreira, quando atrizes talentosas ainda buscavam espaço em Hollywood. Ver duas intérpretes tão experientes em um material tão simples cria uma sensação contraditória: elas estão excelentes, mas parecem grandes demais para o filme.
No fim, Segredo Obscuro funciona melhor quando abraça seu lado divertido e nostálgico. Não tem a ousadia de A Substância, nem o impacto de A Mosca, mas entrega uma experiência agradável para quem sente falta daquele terror comercial dos anos 90 e 2000. É um filme que provavelmente dividirá opiniões, mas que encontra seu valor justamente por não tentar ser maior do que realmente é.

