Pega Essa Dica – Refém Por Um Fio

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O filme é baseado em um fato verídico ocorrido em 8 de fevereiro de 1977, na cidade de Indianápolis. Trata-se de um caso criminal bastante surreal que marcou a história dos Estados Unidos e foi transmitido ao vivo pela imprensa americana, sendo acompanhado por milhões de espectadores.

Ambientado na mesma época em que o caso realmente aconteceu, o longa recria a história do incorporador imobiliário Tony Kiritsis, que invade uma companhia hipotecária em Indianápolis e faz um executivo de refém. Ele mantém uma espingarda apontada para o pescoço da vítima, conectada a um mecanismo manual que poderia disparar caso fizesse algum movimento brusco ou se a polícia tentasse intervir. Com isso, qualquer tentativa de ação policial colocava a vida do refém em risco.

O renomado diretor Gus Van Sant, responsável por clássicos como Drugstore Cowboy (1989) e Gênio Indomável (1997), retorna à direção de um longa após sete anos. Ele conta com o roteirista Austin Kolodney, que desenvolveu a história ao lado dos documentaristas Alan Berry e Mark Enochs, responsáveis pelo documentário Dead Man’s Line (2018). Os dois estudaram e pesquisaram profundamente o caso e também atuam como consultores do filme.

As atuações são um dos grandes destaques. Bill Skarsgård, de Nosferatu (2024), apresenta uma atuação segura como Tony Kiritsis, conseguindo transmitir o humor, a raiva e a singularidade do personagem sem transformá-lo em uma caricatura. Dacre Montgomery, conhecido por interpretar Billy Hargrove em Stranger Things, vive o refém Richard Hall, vice-presidente da Meridian Mortgage Company. Colman Domingo entrega uma atuação sensacional como o radialista Fred Temple. Myha’la Herrold interpreta a jovem repórter Linda Page, determinada a conseguir sua grande matéria, enquanto o veterano Al Pacino interpreta M. L. Hall, dono da empresa e pai de Richard.

Van Sant consegue recriar muito bem a atmosfera e a estética dos anos 1970. A fotografia é um dos pontos altos do filme, utilizando tons mais granulados e uma linguagem visual que mistura as cenas com fotografias e imagens que remetem a um telejornal. Em alguns momentos, os enquadramentos ficam muito próximos dos corpos dos atores, aumentando a sensação de intensidade e transmitindo as expressões dos personagens de maneira ainda mais impactante.

A trilha sonora é um capítulo à parte. É simplesmente espetacular, especialmente pelo uso da black music dos anos 1970, que se encaixa perfeitamente na proposta visual e temporal do longa.

O filme é bastante tenso, mas também possui momentos de humor e muita intensidade. A fotografia, os figurinos e a trilha sonora ajudam a transportar o espectador para os anos 1970. Somado a isso, o excelente trabalho do elenco faz com que, principalmente para quem não conhece a história real e não sabe como tudo vai terminar, seja difícil desgrudar os olhos da tela.

Uma curiosidade é que, após o término do filme, durante os créditos, são exibidas imagens reais do sequestro e de alguns dos acontecimentos retratados no longa. O destaque fica para a entrevista real, que é realmente hilária e ajuda a mostrar o quanto aquela história foi surreal.