Um belo filme de Sessão da Tarde.
O Fim da Rua é uma grata surpresa. David Robert Mitchell, conhecido por Corrente do Mal, assume a direção e o roteiro e entrega um filme que sabe exatamente o tipo de experiência que quer proporcionar. Produzido por J.J. Abrams, o longa mistura aventura, ficção científica e dinossauros com uma estética que parece saída diretamente dos grandes filmes de aventura dos anos 80.

A história acompanha uma família que vive em um bairro aparentemente tranquilo, até que acontecimentos inexplicáveis começam a transformar completamente a realidade ao seu redor. O que parecia ser apenas mais um dia comum se transforma em uma aventura envolvendo fenômenos estranhos, criaturas pré-históricas e uma ameaça que coloca todos em perigo. A narrativa brinca com o desconhecido e cria uma atmosfera de descoberta que remete aos clássicos de aventura.
Um dos grandes acertos está justamente na estética. A fotografia é perfeita, e o tratamento de imagem, com filtros e cores que remetem aos filmes dos anos 80, dá ao longa uma identidade visual muito particular. É como assistir a uma produção moderna que decidiu resgatar a sensação dos filmes que marcaram uma geração.
Os dinossauros também são um dos grandes destaques. Sem depender apenas do espetáculo visual, o filme consegue construir momentos de tensão e aventura que funcionam muito bem. Para mim, é facilmente um dos melhores filmes de dinossauros depois de Jurassic Park, principalmente por conseguir recuperar aquela sensação de encantamento e diversão que muitos filmes do gênero perderam.

Mas nem tudo funciona. O CGI do cachorro me incomodou em alguns momentos. Para um filme desse tamanho, com esse orçamento e envolvendo nomes como David Robert Mitchell e J.J. Abrams, é no mínimo vergonhoso entregar dinossauros tão bem feitos e, ao mesmo tempo, apresentar um CGI tão ruim em um animal que aparece de maneira tão evidente. É um detalhe que acaba tirando o espectador da experiência justamente porque o restante do visual é muito bem trabalhado.
Outro ponto que me incomodou bastante é a maneira como o filme termina. Depois de construir todo aquele mistério, a produção simplesmente acaba sem explicar direito o porquê, como e onde tudo aquilo aconteceu. O filme apresenta perguntas durante boa parte da história, mas deixa muitas delas sem respostas. Entendo que nem tudo precisa ser explicado e que o mistério faz parte da proposta, mas aqui senti falta de pelo menos algumas respostas para que o desfecho tivesse mais impacto ou alguma ligação com os filmes de J.J. Abrams (Cloverfield: Monstro)
A presença de J.J. Abrams como produtor inevitavelmente faz surgir comparações com Cloverfield, principalmente pela atmosfera de mistério e pelos acontecimentos inexplicáveis. Existem algumas referências e elementos que podem alimentar teorias sobre uma possível conexão, mas até o momento não existe confirmação oficial de que O Fim da Rua faça parte do universo de Cloverfield.

O Fim da Rua também funciona muito bem como aquele típico filme de Sessão da Tarde. É divertido, aventureiro, tem mistério, criaturas gigantes e uma história que consegue envolver toda a família. Não é um filme que pretende reinventar o gênero, mas entende que, às vezes, uma boa aventura é exatamente o que o público precisa.
Anne Hathaway, Ewan McGregor, Maisy Stella e Christian Convery formam um elenco que funciona bem dentro da proposta, ajudando a manter o lado familiar e emocional da história.
O Fim da Rua não é perfeito e nem tenta ser. O filme é extremamente divertido, visualmente bonito e com uma identidade muito bem definida. A fotografia, o filtro com estética oitentista, os dinossauros e o espírito de aventura fazem do longa uma experiência que consegue trazer de volta aquela sensação gostosa de assistir a um grande filme de aventura de Sessão da Tarde.
Depois de tantos filmes de dinossauros tentando repetir a fórmula de Jurassic Park, O Fim da Rua consegue encontrar seu próprio caminho. É um ótimo filme para assistir, se divertir e, principalmente, lembrar de quando o cinema de aventura sabia ser simplesmente divertido.

