Um ótimo terror que escorrega no final, porém não é de todo ruim.

Resident Evil acompanha Bryan, um entregador de suprimentos médicos que acaba envolvido em uma noite de caos e sobrevivência. Em uma história original ambientada no universo da franquia e paralela aos acontecimentos de Resident Evil 2, ele precisa enfrentar criaturas, escapar de uma situação aterrorizante e tentar sobreviver a qualquer custo.
Resident Evil ganha uma nova versão nos cinemas pelas mãos de Zach Cregger, diretor de Noites Brutais e A Hora do Mal, que também assina o roteiro ao lado de Shay Hatten. No papel principal está Austin Abrams, interpretando Bryan, um entregador de suprimentos médicos que acaba envolvido em uma noite de caos e sobrevivência.
E preciso dizer: eu gostei muito do filme.

Dessa vez, Resident Evil realmente funciona como um filme de terror. Cregger aposta muito mais na tensão, nos sustos e na sensação de sobrevivência, criando uma experiência que, em vários momentos, consegue passar aquela sensação de estar dentro de um videogame.
Os primeiros 30 minutos são uma ótima introdução. O filme não tem pressa para jogar tudo na tela e utiliza esse tempo para apresentar Bryan, construir o personagem e fazer o público entender quem ele é antes de colocá-lo no meio daquele pesadelo.
E Austin Abrams funciona muito bem. Bryan é carismático, vulnerável e completamente diferente daquele protagonista tradicional de filmes de ação. Ele não começa como um herói preparado para enfrentar monstros. E é justamente essa fragilidade que faz a tensão funcionar. Abrams praticamente carrega o filme nas costas e consegue transmitir o desespero e o medo do personagem sem precisar transformar tudo em uma caricatura.

O terror também é um dos grandes acertos. São muitos sustos, tensão e criaturas, com momentos que realmente conseguem causar impacto. A proposta se distancia bastante das adaptações anteriores e aposta mais no terror de sobrevivência e no desenvolvimento de um personagem comum tentando escapar vivo daquela situação.
Mas senti falta de uma coisa que, para mim, é fundamental em Resident Evil: zumbis e pessoas sendo infectadas.
O filme até trabalha com elementos conhecidos do universo dos games, mas a presença dos zumbis é menor do que eu esperava. E isso acaba deixando aquela sensação de que faltou um pouco mais daquilo que imediatamente associamos à franquia.

Por outro lado, existe uma coisa interessante: o filme não adapta diretamente a história de Leon, Jill ou outro personagem conhecido. É uma história original que acontece no universo de Resident Evil, paralela aos acontecimentos de Resident Evil 2. Cregger buscou principalmente a sensação dos jogos, em vez de simplesmente reproduzir uma história que os jogadores já conhecem.
E talvez seja justamente por isso que o filme consiga funcionar mesmo sem carregar o nome Resident Evil.
Se você tirar o título, ainda existe ali um ótimo filme de terror e sobrevivência. Mas, ao mesmo tempo, Cregger consegue colocar referências e elementos suficientes para que ele ainda faça sentido dentro da franquia.

O grande problema, para mim, está no final.
O filme perde um pouco do ritmo e, principalmente, o tom cômico começa a ocupar um espaço que me incomodou. É uma sensação parecida com a que tive em A Hora do Mal: depois de construir durante boa parte da história uma atmosfera de tensão e terror, o filme começa a brincar demais justamente quando eu queria que ele mantivesse o peso daquela experiência.
E isso quebra um pouco toda a experiência de terror que havia sido construída.
É curioso porque o próprio Cregger revelou que reduziu algumas piadas depois das sessões-teste, justamente porque o público considerou o filme engraçado demais. Mesmo assim, ainda senti esse problema no trecho final.

No geral, porém, Resident Evil é uma surpresa muito positiva.
É um ótimo filme de terror, com muitos sustos, um protagonista carismático e uma proposta que finalmente entende que adaptar videogame não significa necessariamente copiar sua história.
Talvez faltem mais zumbis. Talvez o final precisasse manter o mesmo tom do restante do filme. Mas, ainda assim, considero essa uma das melhores adaptações de Resident Evil para o cinema.
E o mais curioso é que ele consegue ser isso sem depender completamente do nome da franquia.
Resident Evil funciona como Resident Evil, mas também funciona simplesmente como um bom filme de terror.

