Pega Essa Dica – No Limite da Justiça

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Esta produção cinematográfica é baseada em uma história real ocorrida no Mississippi, nos anos de 1960.

O diretor Elegance Bratton (Buck 2020 e The Inspection 2022) tenta trazer uma narrativa forte, com ação, com uma certa violência e drama, o que realmente ocorria, pois a Ku Klux Klan usava desse artifício para massacrar os negros. Porém, faltou aprofundar mais no conflito sobre a segregação, violência e racismo.

O diretor que traz esses aspectos perfeitos é o renomado diretor Spike Lee (Malcolm X 1992 e Infiltrado na Klan 2018), que fez seus filmes virarem referência cinematográfica quando o assunto é sobre o que os negros sofreram “e sofrem até hoje, infelizmente” nos Estados Unidos.

O longa-metragem mostra a parceria, até certo ponto improvável, entre um jovem negro, agente do FBI Wayne Strider, interpretado pelo ator Yahya Abdul-Mateen II (Ambulância – 2022 e Magnum – 2026), e um poderoso assassino da máfia, Greg Scarpa (Mark Wahlberg – Uma Prova de Coragem 2024 e Ameaça no Ar 2025), para solucionar o assassinato de Dahmer (Giancarlo Esposito – Megalopolis 2024 e Capitão América: Um Novo Mundo 2025), líder negro que iria ajudar os negros a votar no Mississippi, onde havia altas mortes decorrentes das ações da Ku Klux Klan.

A cena de seu assassinato é uma das melhores do filme, tanto em dramaticidade, perversidade e realismo.

Vimos filmes que mostram uma dupla de “heróis”, sendo um negro e um branco, como Máquina Mortífera e, principalmente pelo tema do filme, Infiltrado na Klan. Mas, infelizmente, não chega à química dos filmes citados anteriormente. Porém, a atuação dos atores faz o filme ganhar em dramaticidade e ação.

O filme aposta em mostrar um acontecimento extremamente sério e importante ocorrido na luta racial nos EUA. Outros filmes que abordaram esse tema são os excelentes Mississippi em Chamas (1988), que se passa nos anos de 1964, e Green Book (2018), que é em 1966.

Outro ponto a destacar nesse filme é a performance da atriz Nicole Beharie (American Violet – 2008 e Miss Juneteenth – 2020), que faz a esposa do Wayne Strider, que, apesar de um papel menor, faz o telespectador sentir na pele o sofrimento de uma esposa negra, tendo que ter atitudes extremas para ajudar o marido e a comunidade.

A direção de arte e a fotografia do filme são outros pontos de destaque, pois fazem uma bela reconstrução de época. As cores são belíssimas.

É um filme que choca, principalmente pela violência que os negros vivenciaram naquela época, onde os “brancos puro sangue” usavam da religião para discriminar, escravizar e matar os negros. Infelizmente, essa narrativa está presente no mundo todo, principalmente nos EUA e, nos últimos anos, no Brasil, onde a extrema direita usa do artifício Deus, Pátria e Família para continuar com essas atitudes de discriminação racial.