Hotel Amor, dirigido por Hermano Moreira, acompanha Catarina, gerente de um hotel completamente viciada em trabalho, que vê sua rotina virar de cabeça para baixo depois que o estabelecimento é vendido e passa a funcionar sob uma nova administração. Extremamente competente e dedicada ao trabalho, Catarina precisa lidar com uma equipe nem um pouco profissional, hóspedes excêntricos e uma nova administradora que passa a vigiar cada passo da equipe. Como se tudo isso já não fosse suficiente, a chegada inesperada de um amigo do passado coloca ainda mais coisas no caminho da protagonista.

E eu acho que a premissa do filme é realmente muito interessante. Principalmente porque Catarina é uma personagem que traz uma discussão que, de certa forma, conversa bastante com a nossa realidade essa pessoa que vive para o trabalho, que construiu toda a sua identidade em torno daquilo que faz e que, ao mesmo tempo em que é extremamente competente, está constantemente sendo cobrada.
E a Catarina funciona muito bem justamente por isso. Em vários momentos eu fiquei pensando: “Gente, mas como essa mulher consegue lidar com esse bando de gente chata?” Porque, sinceramente, grande parte dos personagens desse hotel é muito chata. O núcleo da Catarina é, para mim, o mais interessante do filme. O problema é que justamente a personagem que tinha mais potencial acaba não sendo tão explorada quanto poderia.
A gente percebe que existe uma história por trás daquela mulher, que existe uma razão para ela ter se tornado tão obcecada pelo trabalho e tão fechada em determinados aspectos. O filme apresenta essas camadas, mas muitas vezes simplesmente joga as informações para o público e segue em frente. Falta desenvolvimento. Falta entender melhor quem é essa mulher e por que ela chegou naquele ponto.

E isso acaba sendo um problema geral do roteiro o filme apresenta muita coisa, mas desenvolve pouco. Temos os funcionários incompetentes, os hóspedes excêntricos, as meninas da despedida de solteira, os jogadores de futebol, o drama pessoal da Catarina, a chegada desse amigo do passado… É muita coisa acontecendo dentro de um filme de aproximadamente uma hora e meia. E o mais curioso é que, mesmo com tudo isso, o filme consegue ser lento.
Para mim, ele demorou muito para passar. A história da Catarina me interessava, mas aí o filme cortava para outros personagens e outros núcleos que, sinceramente, não despertavam o mesmo interesse. Eu entendo a intenção de mostrar a excentricidade dos hóspedes e criar situações absurdas para gerar comédia, mas algumas dessas histórias acabam parecendo mais uma distração do que algo realmente necessário para a trama.
E existe também uma repetição de algumas situações e elementos do roteiro que, depois de um tempo, começam a ficar cansativos. O filme parece insistir em determinadas piadas e dinâmicas quando talvez pudesse simplesmente seguir a história.

A Catarina é uma protagonista cheia de possibilidades. O problema é que o filme parece ter tantas coisas para mostrar que não consegue parar tempo suficiente para aprofundar justamente aquilo que mais importa. E preciso falar do Marcelo Adnet, um grande comediante, mas aqui eu tive muito a sensação de que simplesmente jogaram o Marcelo Adnet no filme. O personagem tem pouca função durante boa parte da história e só vai ter uma utilidade mais clara perto do final. Não acho que seja culpa dele, porque ele faz o que sabe fazer. Mas o personagem não me pareceu muito bem aproveitado.
No geral, Hotel Amor é um filme que tinha uma premissa muito boa e uma protagonista com bastante potencial, mas que acaba se perdendo justamente por querer colocar coisa demais dentro da história. São muitos personagens, muitos núcleos, muitas situações e muitas tentativas de humor. E, no fim, eu fiquei com a sensação de que faltou desenvolver aquilo que realmente poderia fazer o filme ser especial.
Eu queria ter gostado mais, principalmente porque a Catarina é uma personagem que poderia render uma história muito mais interessante e cheia de camadas. Mas o roteiro apresenta essas possibilidades e nem sempre sabe o que fazer com elas. Não é um filme que eu acho completamente ruim. Existem momentos divertidos, situações absurdas que funcionam e uma protagonista que realmente tem potencial. Mas, para mim, o desenvolvimento não acompanha a qualidade da ideia inicial.

