Pega Essa Dica – Da Magia à Sedução: Feitiço do Amor

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Da Magia à Sedução: Feitiço do Amor, sequência do clássico Da Magia à Sedução, de 1998, dirigido por Suzanne Bier, é aquele tipo de continuação que, sinceramente, não precisava existir… mas, quando existe, a gente fica muito feliz por poder voltar para um universo do qual já era tão apegado.  E foi exatamente essa a sensação que tive assistindo ao filme uma viagem no tempo extremamente gostosa.

Voltar para o universo das irmãs Owens, reencontrar Sally e Gillian e ver novamente toda aquela estética de magia, natureza, romance e sobrenatural foi uma experiência muito deliciosa. O filme tem uma atmosfera muito própria, e acho que uma das suas maiores qualidades é justamente entender que parte da graça está em voltar para aquilo que já conhecemos, sem tentar transformar completamente a identidade do primeiro filme. E, obviamente, existe um motivo enorme para isso funcionar tão bem Sandra Bullock e Nicole Kidman. As duas estão maravilhosas.

É muito feliz poder ver novamente essas personagens interpretadas pelas atrizes originais. E não é simplesmente uma questão de nostalgia elas realmente continuam funcionando juntas. A química entre as duas permanece, a Gillian continua sendo aquela personagem maravilhosa, divertida, exagerada e completamente diva, enquanto a Sally traz uma energia mais contida. Para mim, Sandra Bullock e Nicole Kidman são, sem dúvida, o ponto alto do filme. E eu acho especialmente gostoso perceber que elas parecem estar se divertindo nesses papéis novamente. Existe uma familiaridade ali que torna vários momentos muito especiais para quem já gosta do primeiro filme.

A fotografia é muito bonita, os cenários são belíssimos e existe uma preocupação em manter aquela sensação quase de conto de fadas que o primeiro filme tinha. É um universo de bruxas, mas não é um universo sombrio o tempo inteiro. Existe natureza, cor, aconchego, casas maravilhosas e uma atmosfera quase mágica no cotidiano. E o figurino também trabalha muito bem essa ideia.

Gostei especialmente da maneira como o figurino acompanha a trajetória da Sally. Como ela passa por um processo de negação da própria bruxaria, existe uma mudança na forma como ela se veste. Ela se distancia daquela estética mais ligada à natureza que associamos às Owens e, conforme começa a redescobrir sua identidade e sua relação com a magia, isso também começa a aparecer visualmente nas roupas. É um detalhe que pode parecer pequeno, mas que eu adoro quando acontece em um filme o figurino acompanhando a transformação emocional do personagem.

E uma coisa que eu gosto muito no universo de Da Magia à Sedução é que a magia nunca é apresentada simplesmente como “poder fazer qualquer coisa”. Ela tem regras, tem consequências e tudo tem um preço. E eu gosto muito quando filmes de bruxas trabalham com essa ideia de que a magia possui uma espécie de lógica própria, quase como uma teoria ou um sistema dentro daquele universo. Esse filme mantém isso, trazendo novamente essa noção de que determinados desejos e determinados feitiços podem ter consequências que você não consegue simplesmente desfazer.

Também gostei muito do equilíbrio entre humor e drama. O filme tem várias piadas que funcionaram MUITO para mim, principalmente aquelas que conversam diretamente com o universo do primeiro filme. E existem momentos emocionais que, para quem já tem carinho por essas personagens, acabam tendo um peso ainda maior. E aí temos outro presente para quem gosta do primeiro filme as tias. As atrizes originais estão de volta e continuam maravilhosas. Os momentos delas são divertidos, mas também têm uma carga emocional muito bonita. Existe uma sensação de continuidade ali que eu achei muito especial.

A nova geração também entra na história através das filhas de Sally, principalmente Kylie, que descobre que faz parte desse legado mágico depois de ter suas memórias sobre a própria origem apagadas pela mãe. Eu gostei da ideia de trazer essa nova geração para o centro da história. Acho interessante pensar em como o legado das Owens continua e em como essas meninas começam a descobrir quem realmente são.

Mas aqui também entra uma das minhas principais críticas ao filme. Eu não sei se a nova geração recebeu o desenvolvimento que precisava. A Kylie acaba concentrando grande parte da história, enquanto Antonia fica muito mais apagada. E, considerando que a proposta é justamente começar a passar esse legado para uma nova geração, eu esperava que as duas tivessem uma construção mais equilibrada.

O filme ainda pertence muito às irmãs Owens e, sinceramente, eu não acho isso necessariamente ruim, porque é Sandra Bullock e Nicole Kidman que a gente queria ver. Mas, se a intenção era realmente abrir espaço para uma nova geração, acho que esse equilíbrio poderia ter sido melhor trabalhado.

E existe outro problema que me incomodou bastante o roteiro começa a se complicar justamente na segunda metade. Em determinado momento, aparece um personagem que, para mim, parece extremamente forçado dentro da história. E junto com ele vem uma parte da profecia das Owens envolvendo uma ancestral que, até então, nunca havia sido mencionada. E eu fiquei genuinamente pensando: “Gente… como é que elas nunca souberam dessa ancestral?”

É aquele tipo de informação que o roteiro apresenta como se fosse uma grande revelação, mas que, para mim, acaba parecendo mais uma solução criada para fazer a história avançar. E isso me tirou um pouco do filme.

A própria trajetória da Sally também me incomodou nesse sentido. Porque sinto que ela passa por um processo muito parecido com o que já vimos no primeiro filme. Ela tinha aprendido determinadas coisas sobre si mesma e sobre a magia, e aqui parece que ela precisa reaprender praticamente tudo de novo.E eu fiquei pensando: será que não dava para desenvolver uma nova questão para essa personagem em vez de repetir um conflito que ela já havia superado? Para mim, essa é uma das maiores oportunidades perdidas do roteiro.

Também achei que algumas escolhas poderiam ter sido mais econômicas. Existe uma cena de batalha que, particularmente, achei desnecessária, principalmente pela maneira como ela está ligada àquele personagem que mencionei anteriormente. Eu teria preferido que o filme confiasse mais nos próprios personagens e na mitologia das Owens, em vez de precisar criar determinadas situações para chegar ao clímax.

Da Magia à Sedução: Feitiço do Amor não é uma continuação perfeita. Acho que o roteiro poderia ter sido muito mais cuidadoso, principalmente considerando o tamanho do legado do primeiro filme e a expectativa que existe em torno dessas personagens. Mas também acho que seria injusto assistir ao filme esperando que ele necessariamente supere o original. Para mim, ele funciona melhor quando é encarado pelo que é uma oportunidade de voltar para um universo querido.

Foi gostoso, foi nostálgico, foi bonito e foi especialmente maravilhoso ver Sandra Bullock e Nicole Kidman novamente nesses papéis. Eu saí com aquela sensação de que talvez a história não precisasse de uma continuação, mas que foi muito bom ter recebido uma mesmo assim.