Pega Essa Dica- À Paisana

cinema Crítica Cinema filme Pega Essa Dica Pega Essa Novidade

À Paisana (Plainclothes) é um drama romântico com elementos de suspense lançado em 2025, dirigido por Carmen Emmi e estrelado por Tom Blyth, Russell Tovey, Maria Dizzia, Christian Cooke, Gabe Fazio, Amy Forsyth e John Bedford Lloyd. O filme teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance em 26 de janeiro de 2025 e chegou aos cinemas dos Estados Unidos em 19 de setembro do mesmo ano. No Brasil, estreia pela plataforma Prime Video no dia 2 de abril.


A história acompanha Lucas (Tom Blyth), um policial infiltrado que seduz homens gays para prendê-los, mas que, ironicamente, luta contra a própria sexualidade. Esse ponto já define o tom do filme: culpa, repressão e identidade.


“À Paisana” é um daqueles filmes que prendem mais pelo conflito interno do personagem do que pela trama em si e isso é, ao mesmo tempo, sua maior força… e sua principal limitação. A direção aposta em uma construção sensorial: câmera inquieta, cortes rápidos, luz estourada e um design de som quase sufocante. Tudo isso coloca o espectador dentro da ansiedade do protagonista. É um filme que se sente mais do que se assiste.


O grande mérito surge quando Lucas se envolve com Andrew (Russell Tovey). Nesse momento, o filme desacelera, permitindo que apareçam seus melhores momentos. O romance é delicado, silencioso e doloroso. O roteiro equilibra bem drama, romance e suspense sem quebrar o tom, fazendo com que o espectador diminua a tensão e passe a torcer por esse possível casal.


O filme também apresenta uma crítica social relevante sobre perseguição e hipocrisia. Além disso, carrega um pano de fundo histórico importante, ao se inspirar em práticas reais de perseguição a homens gays nos Estados Unidos nos anos 90.


Apesar de suas qualidades, “À Paisana” não é um filme perfeito. A história segue uma estrutura já bastante conhecida o clássico arco do homem reprimido que precisa lidar com seus próprios sentimentos e sua aceitação. O ritmo pode se tornar cansativo em alguns momentos, já que a intensidade é constante. Em certos trechos, o estilo visual se sobressai mais do que a própria narrativa ou seja, o filme impacta mais do que inova.


No fim, não é uma obra que vai revolucionar o cinema, mas certamente é um filme que mexe com o espectador. Vale a pena, principalmente para quem aprecia histórias introspectivas e densas. Ainda assim, não espere algo leve ou de fácil digestão. “À Paisana” é forte, desconfortável e emocionalmente carregado e talvez não agrade quem busca algo mais dinâmico ou original.