Pega Essa Dica – A Praia do Fim do Mundo

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A Praia do Fim do Mundo, dirigido por Petrus Cariry, apresenta um drama intimista que entrelaça questões familiares e ambientais. A narrativa acompanha Alice, uma ambientalista, e sua mãe Helena, gravemente doente, que vivem em uma casa à beira-mar em Ciarema. Enquanto o avanço implacável das águas ameaça destruir a residência, cenário que já levou outras famílias a abandonarem a região, mãe e filha se veem presas em um dilema existencial. Alice deseja partir em busca de segurança e novos horizontes, enquanto Helena insiste em permanecer junto ao mar, mesmo diante da iminente destruição.

O filme é rodado em preto e branco, e esse recurso estético, aliado ao cenário litorâneo, potencializa as texturas e atmosferas da obra. A ausência de cores ressalta o jogo de luz e sombra, conferindo à natureza um tom ao mesmo tempo impiedoso e belo. Os enquadramentos reforçam essa percepção de grandiosidade, colocando a paisagem em primeiro plano e evidenciando sua força em contraste com a fragilidade da presença humana.

Essas cenas se destacam sobretudo quando Alice surge diante da imensidão do mar ou nos momentos em que conversa com a amiga Elisa em um parque. Em ambos os casos, a figura humana é frequentemente reduzida a um detalhe nos cantos do enquadramento, enquanto a natureza, ampla e dominante, ocupa a maior parte do quadro, reafirmando sua imponência sobre a fragilidade das personagens.

A lenta destruição da casa, somada à melancolia de Helena, presa ao passado, cria uma atmosfera quase fúnebre, como se o espectador estivesse diante de um velório. Marcélia Cartaxo entrega uma interpretação sólida, construindo uma Helena contida e envolta em certo mistério. Ainda assim, quem realmente se destaca é Fátima Macedo no papel de Alice: sua naturalidade na dicção e a imponência corporal diante dos acontecimentos conferem vitalidade e força dramática à narrativa.

O diretor trabalha com muitos detalhes sutis, como o afastamento físico entre mãe e filha: no início, elas jantam lado a lado; ao final, sentam-se em extremidades opostas da mesa. Além disso, Helena, é frequentemente enquadrada de modo que fotos e retratos antigos aparecem cuidadosamente ao seu redor, reforçando sua ligação e apego ao passado.

O filme se destaca visualmente e apresenta tramas paralelas que enriquecem a narrativa, além de trazer conceitos interessantes que despertam a atenção. No entanto, a história em si acaba sendo monótona, o que dificulta a imersão completa do espectador, mesmo diante da beleza estética e da proposta criativa da obra.

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