Pega Essa Dica – A Própria Carne: O Risco do Roteiro que se Dispersa

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​Este é um filme que se impõe pela estética visceral e bem acabada, demonstrando uma ambição visual rara no panorama nacional.
​O grande trunfo, sem dúvida, é em sua fotografia. Cada enquadramento não é apenas bonito, mas funcional, equilibrando-se entre luz e sombra como uma espécie de termômetro psicológico, reforçando a tensão interna dos personagens e atuando quase como uma extensão de suas emoções.
​Apesar de toda essa força, o filme luta para criar um clima envolvente, mas peca. O roteiro, que aborda temas potentes e de grande peso, infelizmente se mostra disperso. Essa falta de foco narrativo quebra o ritmo em momentos cruciais e impede uma conexão emocional mais firme com o espectador. Senti que a narrativa carece bastante, teria que ter uma linha que consiga costurar a excelência visual à história que se propõe a contar.
​”A Própria Carne” merece a atenção. É um trabalho que aposta na provocação e na sensorialidade, um passo ousado e, por isso mesmo, necessário no nosso cinema atual. É a prova de que temos técnica e coragem, mesmo que, por vezes, a balança entre forma e conteúdo, não esteja em tanta harmonia.

Mesmo assim, há algo de fascinante em ver uma obra que se arrisca tanto. O elenco entregam atuações que sustentam a carga dramática e mantêm o interesse, mesmo quando a história se dispersa. É um filme que valoriza o desconforto, a dúvida, o impacto visual…e isso, por si só, já o diferencia de muitos títulos recentes.

No fim, A Própria Carne é uma experiência que divide opiniões: belo e inquietante, mas também confuso e excessivo. Um exercício de estilo que desperta mais admiração pela forma do que pela substância. Ainda assim, vale o olhar atento, nem que seja pela ousadia de tentar algo diferente no cinema brasileiro.