O cinema nacional está melhorando a cada ano, e isso é excelente, pois estamos tendo produções de todos os gêneros, desde terror até romance, ação e comédia. Esse novo longa-metragem é uma mistura de ação com comédia, além de retratar um caso verídico ocorrido em 10 de dezembro de 1987, na cidade de Londrina.
O filme é dirigido por José Eduardo Belmonte (Aurora, de 2025, e Uma Família Feliz, de 2023), que retrata a história verídica do maior assalto a banco com reféns do Brasil, ocorrido em Londrina, em 1987. Um grupo de bandidos, sem experiência nenhuma, decide assaltar o Banco Banestado, mas, no decorrer do assalto, acontecem muitas confusões e trapalhadas. Com isso, o filme acaba se transformando em uma comédia, mas muito bem dirigida, sem deixar de lado as cenas de ação e tensão.

O filme tem como protagonistas os atores Murilo Benício (O Homem do Ano, de 2003, e Animal Cordial, de 2017) e Christian Malheiros (A Última Festa, de 2023, e Biônicos, de 2024). Murilo interpreta Paulo, um jornalista do jornal local que está sendo demitido do emprego. Ao ir ao banco sacar seu seguro-desemprego, acaba se tornando um dos reféns da quadrilha liderada por Moreno (Christian Malheiros). Porém, a quadrilha age de forma completamente desorganizada. Na verdade, eles não tinham plano nenhum: imaginavam apenas pegar o dinheiro, sair e pronto. Por incrível que pareça, isso realmente aconteceu! No final do filme, são exibidas imagens reais e entrevistas com algumas das pessoas que foram feitas reféns. Isso foi muito legal, pois podemos ver como essas pessoas se sentiram e como ajudaram o diretor a retratar fielmente o que aconteceu naquela época.
O elenco de apoio também está muito bem, principalmente o ator Paulo Miklos (O Invasor, de 2001, e Estômago II: O Poderoso Chef, de 2024), que interpreta o chefe da polícia, que já foi tema de uma reportagem de Paulo no passado e tem uma rixa com ele. O restante da quadrilha é uma história à parte, pois seus integrantes são muito engraçados. Não irei dar spoilers, mas existem várias cenas que farão o público rir muito. E o pior é saber que tudo isso foi real! Quem está assistindo acaba pensando: como pode existir um “bandido” assim?

Outro destaque vai para a equipe técnica. A direção de arte e a fotografia retratam fielmente a atmosfera dos anos 80, com a cidade, os carros e os figurinos. A trilha sonora também é muito boa.
O ambiente em que a história do filme se desenvolve mostra o que realmente estávamos vivendo nos anos 80, com a crise econômica e a temida hiperinflação, quando as máquinas registradoras dos supermercados não paravam de atualizar os preços a todo momento. Isso é muito bem retratado no começo do filme e acaba sendo um dos “motivos” apresentados pela quadrilha para dar um recado aos governantes e banqueiros do nosso país.
O filme é muito divertido e vale a pena ir ao cinema prestigiar mais essa produção nacional e comprovar que a nossa arte cinematográfica está em ascensão. Temos que ter orgulho dos nossos diretores e atores!

