D.P.A. 4 – O Fantástico Reino de Ondion, dirigido por Mauro Lima, leva os Detetives do Prédio Azul a uma das aventuras mais ousadas e mágicas da franquia. Desta vez, o trio se vê dividido quando Max desaparece misteriosamente, empurrando Mel e Zeca para uma busca urgente que os transporta para o vibrante e imprevisível Reino de Ondion um mundo colorido, habitado por duendes e criaturas fantásticas que vivem numa floresta encantada. Ao atravessarem o portal do famoso apartamento 333, os detetives mergulham em uma vila cheia de imaginação castelos peculiares. Enquanto desvendam pistas para encontrar Max, um novo perigo cresce nas sombras. O vilão Juks, ao lado do bruxo Rumorum, tenta colocar em prática um plano para roubar o Cetro Onírion artefato capaz de realizar os desejos mais impossíveis e dominar o reino mágico.

O filme nos conduz por uma viagem mágica e visualmente deslumbrante. Apostando com força na aventura, ele segue a tradição dos filmes infantis ao apresentar personagens claramente divididos entre bondosos e vilanescos, uma fórmula simples, mas eficaz para o público mirim. Para os adultos, muitos elementos podem soar caricatos, mas é difícil não se encantar com a estética vibrante e a criatividade do universo criado. Ainda assim, a narrativa se dispersa em vários núcleos que pouco acrescentam à trama principal, tornando o filme mais longo do que realmente precisava ser. Essa fragmentação enfraquece um pouco o ritmo, mesmo que não comprometa o encanto visual que talvez seja seu ponto mais forte.
Quando falamos do roteiro, fica evidente que ele é bastante básico. Os diálogos são simples e carregam aquele tom caricato típico de produções infantis. Como já mencionei, o filme se fragmenta em vários núcleos que nem sempre são necessários o exemplo mais claro é o do casal perdido andando pelo metrô mágico. Apesar de render cenários lindíssimos, essa parte não acrescenta absolutamente nada à história. A motivação dos protagonistas é clara salvar o amigo desaparecido. No caminho, eles acabam descobrindo outras coisas, mas as dificuldades que surgem são resolvidas rápido demais. Às vezes até há uma tentativa de tensão uma pergunta do tipo “como vamos sair dessa?” mas logo algum personagem solta uma fala engraçadinha e tudo se resolve sem esforço. Falta um conflito real o filme não apresenta altos e baixos. Para o público adulto, a narrativa passa quase como uma linha reta. Crianças pequenas talvez não sintam isso, porque o ritmo e as cores já são suficientes para entretê-las. Os diálogos são bem bobinhos, mas funcionam dentro da proposta do filme. O que realmente pesa é a quantidade de núcleos o longa corre para tantos lados que, da metade para o final, a experiência fica cansativa.
As atuações são extremamente caricatas e, novamente, isso faz parte da proposta da franquia. A ideia é ser exagerado mesmo. É curioso ver grandes atores interpretando papéis tão infantis no início causa um leve estranhamento, mas logo entendemos que funciona dentro da lógica desse universo. Os personagens, porém, são bem rasos. O próprio vilão aparece pouco e acaba diluído no meio de tantos núcleos paralelos. Quando finalmente surge, já sabemos muito pouco sobre ele. Os protagonistas continuam sendo os detetives, e só. Em vários momentos, tive a sensação de que surgiriam novos antagonistas, mas isso não acontece. Por outro lado, há uma personagem dona de uma loja de brinquedos que se destaca muito. Eu adorei a proposta dela. Juro que achei que, a qualquer momento, ela revelaria ser a verdadeira vilã. Ela tem uma energia meio “Chapeleiro Maluco”, mas com um toque sombrio eu realmente pensei que ela se tornaria uma espécie de bruxa de João e Maria. Gostei tanto que assistiria facilmente a um filme só dela como vilã ela transmite mais presença e até mais medo do que o antagonista principal.
A fotografia do filme é um dos seus maiores acertos ela é belíssima e totalmente imersa no fantástico. Há um uso intenso de CGI, e embora alguns efeitos possam lembrar aquela estética dos filmes da Xuxa super coloridos, brilhantes e assumidamente artificiais o resultado funciona dentro da proposta. A paleta vibrante e o visual mágico ajudam o espectador a mergulhar nesse universo cheio de fantasia. A trilha sonora, por outro lado, não se destaca tanto durante o filme. Ela cumpre seu papel, mas raramente chama atenção. Ainda assim, a música final é surpreendentemente pegajosa e fica na cabeça depois da sessão.
Eu adorei tanto o figurino quanto a cenografia. Os figurinos são cheios de brilho, texturas e combinações criativas dá para perceber que a produção realmente se permitiu explorar diferentes modelagens e misturar materiais de maneira ousada. Os trajes do pessoal do mundo mágico são, sem dúvida, o ponto alto. Mais uma vez, a dona da loja de brinquedos se destaca ela, a rainha e o rei têm os figurinos mais impressionantes de todo o filme. A cenografia também merece elogios. A escolha do cenário para as cenas finais é particularmente inspirada, criando um ambiente que realmente nos transporta para esse mundo fantástico. A composição dos cenários contribui muito para a imersão e ajuda o espectador a se sentir dentro do Reino de Ondion.
Ele não é um filme que emociona ou que traz uma grande lição, mas funciona dentro da proposta de entretenimento. Para mim, pessoalmente, foi um filme “ok” feito especialmente para o público infantil e pouco eficaz para adultos. Também não acredito que vá se tornar marcante para as crianças, mas reconheço que é visualmente muito bonito e cumpre bem seu papel como um programa leve e divertido para levar os pequenos ao cinema.

