Detetive Conan: O Pentagrama de Milhões de Dólares abre com uma breve recapitulação da premissa clássica da série. Shinichi Kudo é um jovem detetive brilhante que, após ser forçado a ingerir uma droga experimental por um misterioso sindicato do crime, tem seu corpo reduzido ao de uma criança. Mantendo, porém, sua mente afiada e seu instinto dedutivo à la Sherlock Holmes, ele assume a identidade de Conan Edogawa e passa a investigar tanto os crimes do cotidiano quanto os segredos por trás de sua própria transformação. Neste novo longa, o enredo se inicia com o anúncio audacioso de Kaito Kid, o lendário Ladrão Fantasma, que declara sua intenção de roubar uma valiosa espada japonesa. O artefato, no entanto, está ligado a um tesouro ancestral e desperta o interesse de diferentes grupos, levando Conan a mergulhar em uma trama de segredos, disputas e mistério onde nada é exatamente o que parece.

Uma das qualidades mais interessantes de Detective Conan: The Million-Dollar Pentagram é a forma como o filme não tem receio de abraçar por completo tudo aquilo que torna o anime tão peculiar. A narrativa se entrega sem reservas ao seu próprio exagero estilístico, oferecendo ao público uma sequência quase ininterrupta de cenas absurdas e imprevisíveis uma montanha-russa de tons e emoções. No fim das contas, essa escolha acaba sendo acertada: o espetáculo visual e o ritmo frenético ajudam a disfarçar o fato de que o enredo, em si, não é dos mais envolventes.
Como consequência da tentativa constante de retratar os personagens como verdadeiros gênios, o filme acaba recorrendo com frequência a soluções que surgem do nada. Isso faz com que a trama funcione menos como um mistério a ser desvendado e mais como um passeio em um parque de diversões no qual o espectador é reduzido ao papel de observador, assistindo a uma sucessão de “centelhas de inspiração” que substituem a dedução genuína.

Tenho certeza de que quem já acompanha Detetive Conan há algum tempo sabe exatamente o que esperar e, por isso, talvez esteja menos interessado na narrativa central e mais empolgado em reencontrar seus personagens favoritos. Nesse sentido, o apelo é compreensível. Há uma quantidade enorme de figuras na trama, como seria natural em uma série tão longeva, mas o grupo principal ainda se destaca por suas personalidades bem definidas e designs marcantes. Entre eles, achei especialmente fascinante o terrivelmente nomeado Kid, o Ladrão Fantasma. Parte desse encanto vem de sua arma peculiar uma pistola que dispara cartas de baralho, mas o que realmente chama atenção é o seu design. Ele é um ladrão, sim, mas foge completamente da imagem de alguém furtivo ou discreto. Kid ostenta um terno branco impecável, complementado por cartola e capa igualmente brancas, criando uma figura tão chamativa quanto elegante. O cara tem estilo e eu simplesmente adorei o visual dele.

Em termos de personagens e cenários, pode ser uma experiência realmente divertida. O filme abraça um certo grau de absurdidade e, honestamente, essa dose de “estupidez consciente” é essencial para que essa montanha-russa funcione. Nos seus melhores momentos, é puro entretenimento. Ainda assim, há um limite para o quanto isso sustenta o interesse. Quando percebo que me importo pouco com a narrativa central, é sinal de que algo não está funcionando tão bem.

