Pega Essa Dica – Devoradores de Estrelas

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As estrelas precisam começar a morrer para que possamos criar alguma empatia pelo nosso mundo e pelo próximo? Os diretores Phil Lord e Christopher Miller investem em uma aventura espacial inspirada nos clássicos dos anos 70, época em que George Lucas ainda construía seus próprios cenários físicos. A produção deixa um pouco de lado o fundo verde e aposta em algo mais palpável e vivo para tornar realidade essa jornada cheia de humor, ciência, emoção e esperança.

Em Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary), thriller de ficção científica escrito por Andy Weir (autor de Perdido em Marte), acompanhamos Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor e único sobrevivente de uma missão espacial destinada a salvar a Terra de uma ameaça que está consumindo o nosso Sol. Ao despertar sem memórias e ao lado de dois tripulantes mortos, ele precisa recorrer à ciência para tentar reverter a crise solar, contando também com uma amizade inesperada.

O longa cria uma grande sensação de imersão ao unir a fotografia magnífica de Greig Fraser (conhecido por Duna) a uma trilha sonora eficiente. Em vários momentos, a câmera acompanha os movimentos da gravidade do cenário como se o espectador realmente estivesse flutuando no espaço. Essa sensação é reforçada pelo uso de cenários práticos bem captados em planos abertos e por um CGI que, quando utilizado, é muito bem executado.

Grace é um professor de física do ensino fundamental que acaba sendo abordado por Eva Stratt (Sandra Hüller), chefe do projeto “Hail Mary”. Ele é recrutado inicialmente como pesquisador e, posteriormente, como tripulante da missão. A interpretação de Gosling carrega forte carga emocional: seu personagem é profundamente solitário, sem família ou amigos próximos, alguém que não acredita totalmente em si mesmo ou em sua própria coragem e, com o passar da trama, acompanhamos seu amadurecimento, em uma das melhores atuações da carreira do ator. Sandra Hüller também se destaca com uma presença marcante em cena; determinada e intensa, ela ainda protagoniza um momento curioso ao cantar Harry Styles em um karaokê, em uma sequência divertida e tocante, que relembra aos personagens, e ao público, a humanidade que ainda vale a pena preservar.

O senso de urgência do filme é constante. Uma das sequências mais eletrizantes ocorre na órbita do planeta Adrian: os tons vibrantes de verde no meio da ação são arrepiantes e colocam o espectador na ponta da cadeira. Os visuais são impressionantes tanto nesse momento quanto quando a nave adentra a Linha de Petrova. A produção demonstra grande cuidado com cenários físicos, mas, quando chega a hora de explorar plenamente o espaço, os efeitos visuais também se mostram belíssimos e muito bem executados.

A maior surpresa do longa, no entanto, fica por conta de Rocky (com voz de James Ortiz). O personagem, uma espécie de criatura alienígena rochosa, se destaca justamente por algo inesperado: mesmo sem rosto, ele é extremamente expressivo e carismático. O filme consegue construir um personagem capaz de cativar o público e trazer para a história uma dimensão de empatia que dialoga diretamente com a mensagem central da narrativa. Rocky arranca risadas em vários momentos e também faz qualquer um se emocionar.

No fim das contas, Devoradores de Estrelas vai muito além de uma típica aventura espacial. O filme carrega uma mensagem de união e esperança para a humanidade, lembrando que ainda existe algo de valioso nas pessoas. A produção bebe de clássicos do sci-fi, como Star Wars, E.T. e Interstellar, mas também consegue construir sua própria identidade. É um espetáculo que faz o público rir, se emocionar e se encantar com sua trilha sonora e seus visuais impressionantes. Uma experiência que merece ser vivida na melhor sala de cinema possível.