Pega Essa Dica – Dollhouse

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Dollhouse apresenta a história de Kae Suzuki, uma jovem mãe que enfrenta o luto devastador após perder sua filha de cinco anos, Mei. A dor a consome, deixando-a emocionalmente à deriva até que, em um mercado de antiguidades, Kae encontra uma boneca assustadoramente semelhante à filha falecida. O brinquedo passa a ocupar um espaço inquietante dentro da casa e do coração da mãe, tornando-se um símbolo de consolo e obsessão. Com o tempo, Kae tenta reconstruir sua vida ao lado do marido, e a notícia de uma nova gravidez parece trazer esperança. O nascimento da segunda filha, Mai, marca um novo começo até que a boneca, agora esquecida, volta a se manifestar de maneira sombria. O que antes era um objeto de conforto se transforma em um canal de terror, desenterrando traumas e segredos que ameaçam destruir a família.

Dollhouse (2025) | MUBI

Além de abordar o tema do luto de forma sensível, “Dollhouse” também provoca uma reflexão interessante ainda que indireta sobre a obsessão contemporânea por bonecas realistas, como os bebês reborn. Embora esse não seja o foco central do filme, a crítica está ali, nas entrelinhas, mostrando como o apego ao que imita a vida pode facilmente se transformar em algo perturbador. Com o desenrolar da trama, o longa abraça de vez o terror sobrenatural, lembrando até o primeiro episódio da série The Haunting Hour, mas com um peso emocional e simbólico mais intenso. A tensão cresce quando a boneca começa a ferir a pequena Mai e, como esperado no gênero, ninguém acredita na criança. Só após uma sequência de eventos cada vez mais sombrios é que os pais decidem investigar a origem do brinquedo, culminando em uma revelação final surpreendente e inquietante.

O diretor Shinobu Yaguchi faz um trabalho interessante ao fugir do óbvio. Em vez de recorrer aos tradicionais jumpscares e sustos fáceis, ele aposta em uma tensão psicológica constante, construída a partir do silêncio, da espera e do desconforto. Quando o público acredita que o susto está prestes a acontecer, nada vem e é justamente essa ausência que intensifica o medo. A narrativa se desenvolve de forma crescente e inquietante à medida que o filme avança, a sensação de estranhamento se transforma em algo mais profundo e sufocante. Assim como os personagens, o espectador percebe que a história é muito mais sombria do que parecia no início.

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Dollhouse não é um filme perfeito em alguns momentos, parece querer abraçar mais temas do que consegue sustentar. Há espaço para drama familiar, rituais, mistério, perseguição e investigação, tudo coexistindo em uma trama que, às vezes, perde o foco e o ritmo. Em certos trechos, o espectador pode se sentir dividido, sem saber exatamente para onde direcionar a atenção. Ainda assim, essas imperfeições não comprometem a experiência. Pelo contrário acabam tornando o filme mais curioso e imprevisível. Ele funciona especialmente bem como terror psicológico, preferindo sugerir ao invés de mostrar, e brincando com a mente do público ao transformar o luto e o amor em fontes genuínas de horror.