Pega Essa Dica – Maldição da Múmia (2026)

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A convite do Jk Iguatemi fomos convidados para a pré estréia do filme Maldição da Múmia (2026) é um filme de terror sobrenatural produzido por James Wan (Blumhouse) e dirigido por Lee Cronin, com estreia nos cinemas brasileiros em 16 de abril de 2026. O longa é estrelado por Jack Reynor, May Calamawy, Laia Costa, Natalie Grace, Billie Roy, Veronica Falcón, May Elghety, Shylo Molina e Hayat Kamille.

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Em Maldição da Múmia, a filha de um jornalista desaparece no deserto sem deixar rastros, deixando a família dilacerada pelo luto. Oito anos depois, a jovem reaparece de forma misteriosa, chocando a todos. No entanto, o que deveria ser um reencontro feliz rapidamente se transforma em um pesadelo de proporções aterrorizantes.

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Lee Cronin aposta totalmente em um terror pesado, íntimo e perturbador, repleto de body horror. Portanto, se você tem estômago frágil, talvez seja melhor evitar — o filme não economiza em cenas gráficas, gore e momentos genuinamente desconfortáveis. Assim como fez em A Morte do Demônio: A Ascensão, Cronin imprime aqui uma identidade visual marcante: sua direção é detalhista e busca constantemente colocar o espectador dentro da experiência, especialmente ao utilizar enquadramentos em primeira pessoa ou ângulos que simulam o ponto de vista dos personagens.

Aliado a isso, o envolvimento de James Wan — conhecido por Invocação do Mal — contribui para um terror que foge do convencional. Embora a trama apresente alguns elementos exagerados, eles ajudam a construir um mistério envolvente e mantêm a narrativa instigante.

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A grande qualidade do filme está na sua entrega: ele cumpre exatamente o que promete. É uma obra que abraça o grotesco e o desconforto, explorando decomposição e mumificação de maneira gráfica, provocando reações quase físicas no espectador. Outro acerto é a atmosfera claustrofóbica — em vez de múltiplos cenários e tramas dispersas, a narrativa se concentra em dois núcleos principais: a convivência da família com Katie, que remete a um clássico cenário de casa assombrada, e a investigação sobre seu desaparecimento. Esses dois eixos se complementam de forma eficiente, revelando gradualmente os mistérios da história.

O elenco também merece destaque: todos entregam performances sólidas e convincentes, mas o grande nome é Natalie Grace. Sua interpretação de Katie na adolescência é ao mesmo tempo assustadora e emocionalmente carregada, evocando comparações com Linda Blair em O Exorcista.

Por outro lado, o filme não escapa de alguns problemas. A falta de originalidade é perceptível em diversos momentos, especialmente no uso de elementos já conhecidos de histórias de possessão e horror corporal. Isso pode gerar uma sensação de familiaridade excessiva. Além disso, embora a proposta da múmia como manifestação de body horror seja excelente, o roteiro não a explora com toda a profundidade possível, optando por caminhos mais seguros — o que acaba sendo um pouco frustrante.

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No geral, mesmo com suas falhas, Maldição da Múmia se destaca como uma experiência intensa e impactante dentro do terror contemporâneo. O filme consegue provocar reações viscerais raras, equilibrando choque visual com tensão psicológica. Vejo a obra como uma espécie de “herdeira espiritual” de Hereditário, Faça Ela Voltar e A Morte do Demônio, enquanto carrega ecos claros de O Exorcista. No entanto, mais do que apenas uma mistura de influências, o filme reflete uma tendência atual do gênero: transformar o terror em algo mais íntimo, físico e emocionalmente devastador. Ainda que não reinvente completamente a fórmula, ele demonstra como o horror pode evoluir ao apostar menos no susto fácil e mais na construção de desconforto e angústia — algo que permanece com o espectador mesmo após o término da sessão.