Filme com gostinho de infância.
Mestres do Universo conseguiu algo que poucos filmes baseados em franquias clássicas conseguem fazer: me transportar diretamente para a minha infância. Durante toda a sessão, tive a sensação de voltar no tempo, para aqueles dias em que eu acordava cedo, animado, para assistir He-Man na televisão. É um sentimento difícil de explicar, mas o filme consegue capturar essa magia de forma muito especial.

Visualmente, o longa é lindo. A fotografia é vibrante, colorida e abraça completamente a identidade da animação clássica. Eternia ganha vida na tela com cenários impressionantes e um visual que respeita o material original sem parecer datado. Tudo tem aquele clima de fantasia aventuresca que fez tantas crianças se apaixonarem pelo universo de He-Man.
O roteiro é simples e previsível, mas funciona. Não há muito o que explicar, e nem precisa. A direção de Travis Knight mostra um enorme carinho pelo material original e entende perfeitamente o que tornou He-Man um fenômeno para tantas gerações. O cineasta consegue equilibrar ação, fantasia e nostalgia sem perder o ritmo da aventura. O roteiro, que recebeu contribuições de Aaron Nee, Adam Nee, Alex Litvak e Michael Finch, aposta em uma história direta, mas que funciona justamente por respeitar a essência dos personagens e do universo de Eternia.

Assisti à versão dublada e fiquei extremamente satisfeito. A dublagem está excelente, com vozes bem escolhidas e interpretações que ajudam a aumentar ainda mais a imersão nessa aventura.
Nicholas Galitzine está perfeito como He-Man. Ele transmite carisma, presença e convence tanto como o príncipe Adam quanto como o herói mais poderoso de Eternia. Já Jared Leto entrega um Esqueleto ótimo, caricato e exagerado na medida certa. O personagem tem presença, é divertido e funciona muito bem como vilão. Minha única ressalva é que senti muita falta da voz clássica do Esqueleto. Pode parecer um detalhe pequeno, mas, para quem cresceu assistindo ao desenho, isso pesa bastante e foi algo que me incomodou durante o filme.
Outro ponto que não me convenceu foi a Maligna. Na animação, ela sempre passou uma sensação de perigo constante, sendo muitas vezes até mais cruel e ameaçadora que o próprio Esqueleto. Aqui ela aparece com um comportamento mais debochado e, em alguns momentos, até alegre demais. Além disso, a caracterização não me agradou, especialmente o cabelo loiro, que acaba fugindo bastante da imagem clássica da personagem. Prefiro a personagem do filme de 1987, que eu adoro.

Mesmo com essas pequenas ressalvas, Mestres do Universo é exatamente o tipo de filme que eu queria ver. É uma aventura divertida, cheia de ação, fantasia e, principalmente, nostalgia. Um filme que respeita seus fãs, entende a importância da franquia e entrega aquele gostinho delicioso de infância que fica com a gente mesmo depois que os créditos terminam. E sim, fique até o final, porque o filme tem três cenas pós-créditos.
Saí do cinema com um sorriso no rosto e com a sensação de ter reencontrado uma parte muito querida da minha infância.

