Dirigida por Emerald Fennell, esta mais nova e atualizada adaptação de Morro dos Ventos Uivantes ostenta virtuosismo técnico, eclipsado por um roteiro que dilui o ímpeto narrativo do romance de Emily Brontë. Com Jacob Elordi como Heathcliff e Margot Robbie como Catherine, o filme prioriza a imersão sensorial sobre a coesão dramática.

“O Morro dos Ventos Uivantes”, foi o único romance de Emily Brontë, e narra a paixão obsessiva e destrutiva entre Heathcliff e Catherine Earnshaw nos charcos ingleses. Adotado pela família Earnshaw, Heathcliff sofre abusos, separando-se de Catherine, o que o leva a vingar-se de todos após retornar rico, marcando a trama com ira e tragédia.
As interpretações elevam o conjunto: Elordi impõe uma presença física dominante a Heathcliff, com blocking corporal que reforça sua alteridade selvagem; Robbie, em Catherine, forja uma química magnética via close-ups intensos e olhares carregados de subtexto freudiano.

A fotografia de Linus Sandgren domina com composições grandangulares e paleta desaturada em tons sépia, empregando naturalidade e profundidade de campo rasa para fundir personagens à paisagem yorkshire — uma mise-en-scène que personifica o gótico sublime. A direção de arte de Suzie Davies um primor sutil e vibrante, enquanto figurino e maquiagem aplicam próteses envelhecimento hiper-realistas, ancorando a ambientação vitoriana com muita fidelidade.

O roteiro, porém, falha em montagem: subtramas periféricas (como o declínio de Hindley) se estendem em elipses contemplativas de 148 minutos, gerando ritmo anêmico e sequências de longa duração que estagna. Tal arrasto — agravado por transições lentas e ausência de montagem paralela — induz letargia, contrastando com clímax dramáticos de alta tensão rítmica que salvam o vigor essencial, faltou mais intensidade e desenvolvimento de subtramas que contempla o ritmo e conduz mais fluidez na narrativa.

O Filme vai agradar boa parte do público em sua marioria os fãs dos protagonistas, mas pode desagradar em massa os leitores e adoradores do clássico literário, tendo sua adaptação totalmente e em sua grande parte adversa ao que está esculpido no material original literário, mesmo assim ressalvas para atuações e entregas técnicas como Figurino, Fotografia, Maquiagem e Direção de Arte, poderia até citar a trilha sonora, mas a mesma não contribui significativamente para salvar o seu roteiro confuso, cansativo e arrastado.

