Pega Essa Dica – Nosso roteiro em Três Coroas, a Cidade Verde

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Existem alguns destinos que não estão no radar da maioria das pessoas mas que, quando caem no conhecimento público, rapidamente se tornam referência em alguma categoria. Com isso em mente, fomos conhecer a Cidade de Três Coroas, localizada no coração da Serra Gaúcha, ao lado dos mais famosinhos Gramado e Canela. Essa pequena cidade do Rio Grande do Sul é conhecida por sua natureza exuberante, esportes de aventura e por abrigar o maior templo budista da América Latina. No entanto, apesar de ser um destino fantástico, ainda tem muita gente que não conhece essa jóia do Sul do Brasil.

Nessa matéria queremos mostrar para você porque ficamos tão encantados com a chamada Cidade Verde, em uma viagem cheia de esportes praticados em contato direto com a natureza, além de hospedagens surreais e o acolhimento de um povo batalhador que visivelmente ama o que faz e tem orgulho de sua cidadania. Vale destacar que Três Coroas sofreu muito com as enchentes de maio de 2024 mas que, com sua resiliência e força de vontade, veem reerguendo a cidade de forma emocionante e exemplar.

Chegamos na cidade

A cidade de Três Coroas está muito próxima de Gramado e Canela (menos de 40 km), e a cerca de 100 km de Porto Alegre, o que a torna uma excelente opção de passeio combinado com a Serra Gaúcha. Se você vem de São Paulo, por exemplo, o jeito mais rápido é voar até Porto Alegre e seguir de carro ou ônibus até Três Coroas. Se você gosta de road trips, ir de carro pode ser uma boa aventura pela BR-116.

No nosso caso, estávamos em Balneário Camboriú e pegamos um ônibus até Porto Alegre, onde passamos a noite dormindo que nem uns anjinhos depois de se acabar no Beto Carrero (confira a matéria aqui). Depois disso, na rodoviária de Porto Alegre pegamos o ônibus à Três Coroas e finalmente chegamos à Cidade Verde.

A primeira coisa que nos encantou é que, apesar de ser uma cidade pequena, a infraestrutura voltada ao turismo é bem eficiente. Esforços tem sido feitos pela Secretaria de Turismo da cidade junto à rede de pousadas para que eles recebam um número cada vez maior de pessoas a cada ano, e isso é muito bom, pois você verá nessa matéria que há estabelecimentos para todos os tipos de viajante.

A nossa primeira parada foi no Armazém Stein, um estabelecimento super tradicional que há quase 70 anos mantém uma estrutura de comércio com essa pegada rústica que adoramos: produtos serranos e de mercearia, além de um minimercado com iguarias da região. Um ambiente bem charmoso para já nos aclimatar com essa atmosfera da Serra Gaúcha.

Raft Adventure Park – nossa primeira hospedagem estilosa

Nossa primeira hospedagem, às margens do Rio Paranhana, foi o Raft Adventure Park (@raftadventurepark), que é reconhecido como um dos maiores centros de turismo de aventura do sul do Brasil e é referência em turismo de natureza no sul do Brasil. Eles já receberam até o prêmio Travellers’ Choice do TripAdvisor, estando entre os 10% melhores do mundo.

Lá, eles tem vários tipos de hospedagem, e no nosso caso ficamos na Cabana Zen, e posso dizer, sem dúvida, que foi o refúgio mais romântico e acolhedor em que já estivemos. A estrutura é de uma cabana moderna, com grande parte da construção em vidro, com vista privilegiada para o Rio Paranhana e uma banheira de hidromassagem, que é maravilhosa. A cabana possui frigobar, ar-condicionado e wifi, uma cama mega confortável com o constante barulhinho do rio ao fundo que vai fazer você dormir se sentindo nas nuvens.

O parque também possui outros tipos de hospedagem, como chalés familiares e até o Grampling, que são cabanas mais estruturadas para quem quer acampar sem abrir mão do conforto. Além disso, se você quer a experiência tradicional de acampar na barraquinha, eles também fornecem o espaço para isso, com a vantagem de ter banheiros e pontos de água por perto.

Atividades do Raft Adventure Park

O Raft Adventure Park (@raftadventurepark) oferece atividades de aventura variadas: rafting, arvorismo, tirolesa, stand up paddle, paintball, arco e flecha e aquaball, entre outros. Realmente, tem muita coisa para fazer lá, parado você não fica! No nosso caso, optamos por conhecer o arvorismo, que é uma atividade que nunca havíamos feito e que seria impossível termos na cidade em que moramos.

Nosso instrutor foi o Leonardo Moreno, que é campeão brasileiro de rafting e de canoagem em diferentes modalidades, além de ter representado o Brasil nas Olimpíadas de Barcelona (1992) e Atlanta (1996), na canoagem slalom.

Essa aventura consiste em percorrer circuitos suspensos entre árvores, com pontes, cabos e obstáculos, proporcionando um misto muito interessante de adrenalina e contemplação da natureza, com segurança garantida por equipamentos e monitores. Particularmente nos encantou a parte em que atravessamos por cima do rio, deu vontade de ficar lá parado só contemplando. Fica então essa recomendação da atividade!

Depois, fomos conhecer a tirolesa e, meus amigos, que adrenalina! Para nós, uma das atividades mais emocionantes do parque. Ela proporciona a sensação de “voar” sobre a mata atlântica e o Rio Paranhana. São dois trajetos e a emoção é certeira. O frio na barriga que você sente ao se desprender do chão logo é substituído pelo calor do momento e pela sensação de leveza. A liberdade é indescritível. Algo que é difícil colocar aqui em palavras, só vivendo mesmo.

Se a ideia de se aventurar no ar te dá um certo frio na barriga, é justamente por isso que vale a pena se entregar à experiência. A atividade é totalmente segura e, para muitos, se torna um momento inesquecível. Afinal, tenho certeza que você teve aquele sonho em que estava voando, sem nada que o prendesse ao chão: apenas você, o vento e a paisagem ao redor.

Hora de repor as calorias – o melhor fondue da vida

Depois de todas essas atividades intensas, a fome bateu forte, e tivemos o privilégio de receber, no conforto de nossa Cabana Zen, o fondue da Soul Empório e Gastronomia (@soul_emporio). Os chefs Leo e Livia Lincke são verdadeiros mestres na gastronomia inclusiva e especialidades sem glúten, e o carinho que eles tem com cada receita ficou muito evidente nesse fondue que tivemos a oportunidade de apreciar.

A parte dos salgados veio com opções diversas: filé mignon, frango, carne suína e shimeji, acompanhado de mini batatas cozidas no vapor, paõzinho de abóbora sem glúten (maravilhoso), legumes crocantes fresquinhos e um molho de queijo especial com vinho branco que estava surreal de bom.

A parte doce então, nem se fala, estava muito acima dos fondues tradicionais que você vê por aí: havia o chocolate cremoso, o chocolate branco com pistache e o meu favorito, o caramelo salgado com flor de sal, acompanhados de frutas frescas da estação, marshmallow e pedacinhos de um bolo caseiro fofinho que estava fantástico. Uma atenção aos detalhes e um capricho que realmente marcou nossa memória, parabéns aos chefs!

Dia 2

Dia seguinte, amanhecemos com um maravilhoso café da manhã no Raft Adventure Park, entregue em uma charmosa cestinha na nossa cabana. O café veio com pãezinhos, salgados, pão de queijo, frutas, iogurte, tábua de frios, docinhos, suco de laranja e café. Uma refeição bem completa que pode ser solicitada via WhatsApp durante a hospedagem, para ser entregue entre 8h30 e 10h da manhã.

Bora pro Rafting – Central Sul Raft

Buchinho cheio, hora de tomar o caminho da roça e ir para a nossa próxima parada, o Central Sul Raft (@centralsulraft), para ter finalmente a experiência de descer o rio, nessa que é a atração número 1 em Três Coroas, segundo o TripAdvisor. E vale dizer que estávamos muito bem assessorados, pois quem nos acompanhou foi ninguém menos que o Enio Winkler (@enio_winkler), que é tricampeão brasileiro e campeão mundial de rafting. A gente é chique hein!

O rafting é um esporte de aventura praticado em rios com corredeiras, onde os participantes descem o curso da água em botes infláveis especiais (rafts), remando em equipe sob a orientação de um instrutor. É uma atividade que mistura adrenalina, contato com a natureza e trabalho em grupo, sendo acessível até para iniciantes. No nosso caso, a atividade ocorreu nas corredeiras do Rio Paranhana, com diferentes níveis de intensidade.

Para começar, colocamos nossos equipamentos de segurança (a roupa de neoprene salva demais em dias frios) e nos dirigimos ao rio, onde o Enio passou as instruções básicas de como proceder. O percurso é bem gostoso, com partes mais calmas e outras mais intensas. Vale destacar também o momento em que pulamos no rio para flutuar um pouco e curtir a paisagem. E se você tem medo de cair no água, fique tranquilo, o colete salva vidas estará sempre muito bem preso ao seu corpo e é impossível afundar.

Ao final dessa aventura, ficou claro que o rafting é uma experiência completa de conexão com a natureza, superação pessoal e diversão em grupo. Valeu demais a pena e recomendamos para todo mundo que quer curtir um desafio diferente em um cenário deslumbrante.

Na volta, estivemos de novo no Raft Adventure Park e apreciamos um maravilhoso filé de frango à parmegianna com massa e saladinha. Que ótimo jeito de repor as energias. Se tem uma coisa que eles gostam nessa cidade é de fartura e comida boa!

Nas nossas últimas horas na hospedagem pudemos conhecer um pouco da área que eles tem para que os hóspedes fiquem curtindo a natureza, com uma ampla área verde, um lago em que podem ser praticadas atividades como o Stand Up e o Aquaball e um tobogã para deslizar com tudo em direção à agua.

Hora do quadriciclo! – Brasil Raft Park

Despedindo-se da Cabana Zen, fomos para o Brasil Raft Park (@brasilraftpark), que é referência em turismo de aventura no Vale do Paranhana, oferecendo o maior percurso de rafting da região e experiências exclusivas em meio à natureza exuberante da Serra Gaúcha. Eles são avaliados como atração nº 1 em “Diversão e jogos” na cidade, com quase 500 avaliações positivas pelo TripAdvisor.

Apesar de o parque possuir várias atividades como Rafting (incluindo o noturno), tirolesa, canopy e outras, optamos pelo quadriciclo, que eles recomendam como a atividade mais emocionante das oferecidas. E de fato, o coração foi a milhão nessa.

Nosso instrutor, o Cristiano Arozi, é outra figura lendária da cidade. O cara simplesmente foi campeão de canoagem 10 vezes, além de ter vencido em todas as categorias no campeonato brasileiro de Canoagem Descida, em 2024. Hoje, ele nos ajudou com essa atividade do quadriciclo e nos deu uma pequena aula para aprendermos como manejar o veículo 4×4 para depois disso seguimos adiante, em um percurso emocionante na propriedade que combina trilhas exclusivas com obstáculos naturais.

Andar de quadriciclo parece tenso no início mas é muito divertido ver a poeira levantar, passar por trechos enlameados e encarar tanto campos abertos como vias sinuosas com pedras e árvores. Uma experiência memorável que também recomendamos demais!

A Casa Bolha – A Queridinha do Instagram

No Brasil Raft Park fica localizada uma das atrações mais famosas de Três Coroas. Trata-se da badaladíssima Casa Bolha (@depoisdohorizonte), que é uma hospedagem diferentona que atrai gente de diversas partes do Brasil para conhecer seu formato diferenciado. Essa hospedagem é tão concorrida que no ano passado eles só tinham duas datas disponíveis para o ano todo! E claro, nós fomos lá descobrir o porquê disso.

A Casa Bolha tem um formato de cúpula transparente, como um domo integrado à natureza. Ela é ideal para casais e viajantes que buscam algo romântico, exclusivo e imersivo. O que mais gostamos nela é que as paredes permitem observar o céu e a paisagem ao redor, o que fica lindo tanto de dia quanto à noite.

A estrutura é bem completinha: tem cozinha completa, wi-fi, banheira de hidromassagem, um deck integrado com mesinha bem charmoso, um banheiro mega tecnológico (nunca vi um chuveiro assim, nem no Japão!) e a cama é um convite ao relaxamento.

XIS do Vini – hora de conhecer esse clássico

Nossa amigo e anfitrião Junior Kellermann nos convidou para jantar algo típico dos gaúchos que não encontraríamos em São Paulo. Você sabe o que é um XIS? Se você é do Sul, a pergunta parece boba ou óbvia demais, mas nós nunca havíamos ouvido falar nessa refeição e, meus amigos, tá aí um negócio bom demais!

O Xis é um lanche típico do Rio Grande do Sul, parecido com um hambúrguer ou bauru, mas muito mais generoso. Ele é feito em um pão grande, recheado com carne, queijo, ovo, salada e molhos, prensado na chapa. É considerado um dos símbolos da culinária rápida gaúcha. Nós tivemos a sorte de ir no Xis do Vini que é uma rede de lanches muito popular na região do Vale do Paranhana. Ele é conhecido por seus xis bem servidos, saborosos e acessíveis, além de ser considerado um dos melhores fast foods da região, com avaliações acima de 4,5 estrelas em plataformas como iFood e Google.

Para a sobremesa, uma passadinha no Empório Cakes & Cucas (@emporiocakesecucas), que é outra parada obrigatória em Três Coroas para quem aprecia doces artesanais e cafés especiais. Os doces de lá são um espetáculo visual e muito saborosos, com destaque especial para os bolos elaborados e as cucas artesanais. Nós comemos um tiramisu que estava fabuloso e um bolo de laranja sem glúten com massa e recheio deliciosos.

Depois disso, voltamos para nossa bolhinha querida e nos deixamos envolver pelo espetáculo da noite estrelada bem acima de nós. O sono chegou bem suave, quase imperceptível, como se fosse parte da própria paisagem. Nem percebi onde um dia terminava e o outro começava, porque despertar ali, com a natureza acordando conosco, foi tão mágico que pareceu a continuação de um sonho.

Dia 3

Dia seguinte, acordamos com um café da manhã sensacional na Casa Bolha. Este também é um opcional que você pode pedir pra eles via WhatsApp e nós recomendamos demais. Omelete, pães, bolos, frutas, suco, café e iogurte, tudo muito gostoso. A vista é sensacional e o clima estava bem agradável. Despedimo-nos do Brasil Raft Park e fomos em direção à nossa nova aventura, no Sítio Recanto Surucuá (@sitio_recanto_surucua).

O Sítio Recanto Surucuá é uma casa de campo super estilosa e com excelente avaliação no Airbnb. É uma hospedagem em estilo rústico, com casa de madeira, quiosque, piscina e áreas verdes, ideal para quem busca aconchego e contato direto com a natureza. A propriedade conta também com um espaço preservado da Mata Atlântica, onde realizamos nossas próximas atividades: o rapel e a trilha.

Bora pro Rapel!

O rapel é uma técnica de descida controlada por cordas em superfícies verticais, como paredões, montanhas ou cachoeiras. Lá no Recanto eles possuem dois trajetos: o na pedra e o na cachoeira. Apesar de o Lucas ter nos dito que o da cachoeira é mais emocionante por conta da emoção de literalmente adentrar a cascata, optamos pela descida no ambiente seco, pois ainda tínhamos outras programações no dia e precisávamos dos nossos tênis sequinhos.

É uma experiência segura, feita com equipamentos adequados e orientação direta do proprietário Lucas Huff (@lucasdanielhuff) e de mais um profissional, o Luís Sperling (@lnt_sperling), o Lontra, para os amigos), que também estava lá para nos ajudar. A sensação é muito única, você vai deslizando pelas pedras, em um misto de adrenalina e paz. O vento no rosto, o som da natureza e o canto dos pássaros foram a combinação perfeita desse momento inesquecível para nós. A sensação é gostosa porque mistura o desafio físico com a leveza mental: você se sente livre, suspenso entre céu e chão, dono do próprio ritmo.

Mais uma aventura – Trilha na mata

Após nosso rapel bem sucedido, o Lucas nos levou para fazer uma trilha na mata. Caminhamos, por cerca de 3km e quem nos acompanhou também foi a Sereia (a cachorrinha anfitriã do Recanto). O passeio foi bem interessante e divertido, uma verdadeira imersão na Mata Atlântica, em que pudemos respirar um ar puro de verdade, além de contemplar árvores nativas de uma vegetação exuberante e úmida. A trilha leva até a cachoeira e durante o trajeto existem pontos com cordas para facilitar o acesso.

Na cascata, a água despenca cristalina entre as pedras e nos deu vontade de ficar sentados um tempo lá só contemplando. Foi um privilégio muito grande fazer esse passeio, afinal, nos dias de hoje, são cada vez mais raros os momentos que ficamos totalmente off do mundo moderno, sem celular, sem notificação, sem telas. O ar é úmido e fresco, carregado pelo cheiro da terra e da vegetação.

E o melhor de tudo, essas aventuras matinais nos deixaram com bastante fome, o que nos levou ao próximo estabelecimento…

Casa Colonial Ritter – o melhor café colonial da Serra Gaúcha

Hoje em dia, quantos lugares podemos dizer que são realmente tradicionais? Ainda mais, se você, assim como nós mora em grandes centros urbanos ou proximidades, com certeza sabe que esses estabelecimentos são cada vez mais raros.

Felizmente, a tradição ainda existe na Casa Colonial Ritter (@casacolonialritter), onde tivemos a oportunidade de provar um café colonial de encher os olhos. Saindo do Recanto, a anfitriã Andréa nos recebeu no seu estabelecimento, que é uma confeitaria e café colonial muito acolhedora que combina tradição alemã com hospitalidade gaúcha, sendo uma das paradas gastronômicas mais queridas da cidade. E eu vou dizer com todas as letras, que atendimento! A proposta deles era que o cliente se sentisse na casa da vovó, e isso ficou perceptível em cada detalhe.

A qualidade e variedade de tudo que nos foi servido impressionou: na parte salgada, tinha pastéizinhos de frango, queijo e carne, polenta frita, bolinhos de carne, enroladinho, pão caseiro de milho e aipim, paõzinho de sanduíche, ovinhos de codorna, pepino, queijo e salame coloniais, linguiça alemã cozida, linguiça bock (um tipo de salsicha tradicional defumada, feita originalmente com carne de vitela e porco, além de especiarias) e batatas fritas.

Para passar nos pães tinham as chimias (doces cremosos semelhantes a geleias): doce de leite, mel, geleia de pimenta, de figo e a nata. E a parte doce então! Que espetáculo: Apfelstrudel, bolo de cenoura quentinho, rocamboles de doce de leite e de chocolate, e a inesquecível cuca de chocolate branco e abacaxi. Eu juro que queria aguentar comer mais porque estava tudo tão bom que não tinha como parar de apreciar.

Passada essa refeição maravilhosa, o Lucas Huff, dono do Recanto Surucuá, que também é guia turístico autorizado, nos levou à nossa última parada, o maior templo budista da América Latina.

Chagdud Gonpa Khadro Ling – o templo budista de Três Coroas

O Templo Khadro Ling (@khadro.ling) é o primeiro templo tibetano tradicional da América Latina e um dos pontos turísticos mais especiais da Serra Gaúcha. Ele fica no alto de uma montanha em Três Coroas (RS) e está aberto para visitação pública. Criado pelo mestre tibetano Chagdud Rinpoche em 1995, é considerado um centro de prática, retiros e ensinamentos espirituais, além de ser um espaço cultural e artístico.

Nossa impressão inicial é que, independente da fé do visitante, estar ali desperta uma paz interior difícil de explicar, como se o espaço carregasse uma energia que suaviza pensamentos e preocupações. A estrutura do templo é bem grande: tem o templo principal, estupas sagradas, jardins e mirantes, salas de prática e retiros, espaços culturais e para eventos, e duas salas das rodas de oração, além da loja e da editora.

Grande parte das atividades é mantida por voluntários, que se dedicam à manutenção dos jardins, à limpeza, à organização de eventos, à recepção de visitantes e à preservação das instalações. É comovente perceber o carinho e a entrega que demonstram ao local; de fato, vivem o budismo em sua essência.

Queremos destacar as Sala das Rodas de Oração: cada roda contém milhares de mantras impressos em rolos de papel no seu interior, geralmente o mantra Om Mani Padme Hum, associado à compaixão. A prática consiste em girar as rodas no sentido horário. A cada giro, acredita-se que os mantras são multiplicados e espalham bênçãos e energia positiva para o mundo. É uma forma de meditação ativa: mesmo quem não conhece profundamente o budismo pode participar e sentir a paz da prática.

E assim, nesse clima de paz, nos despedimos da Cidade Verde, carregando no coração experiências que vão ficar marcadas na alma.

A Conclusão

Todo o nosso texto foi feito baseado na nossa experiência e, se você chegou até aqui, está bem claro o quanto amamos essa cidade tão especial. Não é exagero dizer que foi uma experiência marcante e transformadora, em que vivemos, em poucos dias, tantos momentos únicos e aventuras memoráveis.

Em Três Coroas vivemos dias que ficarão para sempre na memória. Entre a adrenalina do rafting, da tirolesa, do quadriciclo e do rapel, e a tranquilidade das trilhas e do templo budista, sentimos a cidade pulsar em cada detalhe. Nos deliciamos com o fondue da Soul Gastronomia, com o xis do Vini e com os sabores acolhedores da Casa Colonial Ritter e do Cucas & Cakes. Dormimos sob as estrelas na Casa Bolha e encontramos serenidade na Cabana Zen. Cada experiência foi única, mas juntas revelaram o quanto Três Coroas é especial. Saímos de lá com o coração leve, gratos por tudo que vivemos e certos de que voltaremos, porque essa cidade nos conquistou por completo.

Ah, e não foram apenas as paisagens e aventuras que nos marcaram, mas sobretudo o povo. A cada encontro sentimos o quanto os moradores são acolhedores, sempre prontos a receber com um sorriso e uma palavra amiga. É impossível não se emocionar ao ver como eles, unidos, conseguiram reerguer a cidade depois das enchentes. Entre a dor e a perda, nasceu uma força coletiva que transformou dificuldades em esperança. Caminhar por Três Coroas hoje é testemunhar não apenas uma cidade reconstruída, mas uma comunidade que mostra, na prática, o poder da solidariedade e da resiliência. Essa energia humana nos tocou profundamente e fez nossa experiência ainda mais inesquecível.

Vale lembrar também que a cidade é um berço de campeões, conforme foi mostrado aqui, em que cada atividade que fizemos foi com alguma lenda de seu respectivo esporte. Se você quiser saber mais sobre a cidade, acesse o site Visite Três Coroas, que é o oficial da cidade.

Fizemos videos completos no Youtube, mostramos todas essas atividades, corre lá pra ver também: Parte 1 e Parte 2.

E é isso, só podemos dizer, de coração, que esperamos que você também sinta vontade de conhecer a cidade depois do nosso relato. Valeu!