A nova adaptação do livro de Zibia Gasparetto, “O Advogado de Deus”, dirigido por Wagner de Assis, mergulha de cabeça no universo da espiritualidade, vidas passadas e redenção karmica. O filme acerta em cheio ao construir um roteiro coeso que entrelaça o presente com flashbacks do passado colonial brasileiro, explorando dilemas morais de um advogado cético confrontado por visões de existências anteriores. As atuações são um dos pilares: Nicolas Prattes, Danilo Mesquita, Lucas Letto, Beth Goulart, Lorena Comparato, Augusto Madeira, Eucir de Souza e grande elenco, entregam performances bem desenvolvidas, com camadas emocionais que humanizam personagens complexos, evitando o maniqueísmo comum em narrativas espirituais.

A direção de arte e o figurino merecem aplausos unânimes. Eles estabelecem com maestria as épocas retratadas do século XVII ao contemporâneo, com cenários imersivos de conventos sombrios, plantações escravagistas e escritórios modernos, recriando o Brasil histórico com fidelidade visual impressionante.
No entanto, nem tudo flui com a mesma graça. Algumas cenas dramáticas, especialmente nos atos iniciais, soam óbvias e forçadas, com diálogos expositivos que martelam lições espirituais em vez de mostrá-las organicamente. O ritmo também patina no meio do filme, tornando-o lento e ocasionalmente cansativo, com sequências reflexivas que se estendem além do necessário, testando a paciência do público menos devoto ao gênero. Felizmente, o terceiro ato resgata o fôlego: uma reviravolta emocional acelera a narrativa, culminando em um clímax catártico que recompensa a espera e reforça o tema central de perdão e evolução espiritual.

No fim das contas, “O Advogado de Deus” é uma produção bem construída para fãs de espiritualidade e dramas reencarnacionistas, superando muitas adaptações brasileiras do gênero pela solidez técnica. Vale pela jornada visual e emocional, mas poderia ser mais ágil para conquistar um público amplo.

