Pega Essa Dica – Pânico 7

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Pânico 7 está entre nós e, com certeza, será um filme que vai dividir opiniões. Dirigido e coescrito por Kevin Williamson, roteirista original da franquia, este novo capítulo chega com a promessa de resgatar o suspense do filme original — mas acaba pecando justamente nesse ponto.
A abertura é bem diferente das demais da saga, já que desta vez não temos atores que estão “bombando” em Hollywood. Jimmy Tatro e Michelle Randolph interpretam o casal Scott e Madison e, surpreendentemente, seus personagens são carismáticos. Na minha opinião, é uma das melhores aberturas da franquia. Destaco Michelle, que arrasa na atuação e mostra que, em outro slasher, poderia facilmente se tornar uma grande final girl.


Após uma abertura grandiosa, conhecemos o restante do elenco. Neve Campbell está de volta como Sidney Prescott — agora adotando o sobrenome do marido. Arrisco dizer que essa é a melhor performance da atriz dentro da franquia. Ponto positivo para o roteiro, que soube desenvolver sua personagem nessa nova fase mais madura.


Em seguida, somos apresentados a Tatum (Isabel May), filha mais velha de Sidney, e a Mark (Joel McHale), seu esposo. Eu amei esse núcleo familiar: a dinâmica entre eles e o desenvolvimento da relação entre Sidney e Tatum são bem construídos e envolventes. Mark foi um grande acerto para a franquia, e sua performance é muito segura. Tatum cresce ao longo do filme e realmente se torna uma Prescott — sua cena de perseguição é um dos grandes momentos do longa.


No núcleo de amizade de Tatum, conhecemos Ben (Sam Rechner), seu namorado, que o roteiro claramente tenta aproximar da figura de Billy Loomis. Gostei do personagem, mas faltou desenvolvimento; queria vê-lo mais em cena, especialmente em possíveis embates com Sidney. Temos também Lucas (Asa Germann), o vizinho de Tatum, o típico garoto esquisito e obcecado por true crime. A atuação é ótima, mas novamente o roteiro falha em aprofundá-lo — era um personagem com muito potencial.


Já Hannah (McKenna Grace) e Chloe (Celeste O’Connor) são carismáticas muito mais pelo talento das atrizes do que pelo que está no papel. Mais uma vez, o roteiro não permite que as conheçamos a fundo, o que acaba sendo decepcionante.


Saindo do núcleo dos personagens, vamos falar da história. É uma boa trama, porém com um ritmo acelerado demais — problema semelhante ao de Pânico 6. Eu preferiria que o filme desacelerasse em alguns momentos, para que sentíssemos mais o impacto dos ataques e das mortes. Falando nisso, os ataques são brutais e bem executados. As mortes são sangrentas e impactantes, o que me surpreendeu positivamente.


A metalinguagem aqui é quase inexistente. Em vez de trabalhar comentários mais inteligentes sobre o gênero, o filme prefere escancarar referências e apostar fortemente na nostalgia. Eu gosto disso, mas em alguns momentos soa excessivo.


O longa funciona muito bem nos dois primeiros atos. Mesmo com pequenas falhas, a trama se mantém interessante. A introdução de Gale Weathers (Courteney Cox) é brilhante — arrancando aplausos e gritos no cinema. Temos uma das melhores versões da personagem: ainda sarcástica, mas também mais humana. Um detalhe que amei foi o roteiro mencionar as sequelas físicas do ataque sofrido em Nova York.


Os gêmeos Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding) aparecem como estagiários de Gale. A dinâmica é divertida e as atuações são boas, mas, no conjunto geral, sinto que eles não eram realmente necessários para a trama. Além disso, a ausência de qualquer menção a Sam, Tara e Kirby — mesmo com várias oportunidades para isso — soa como descaso e acaba sendo algo ridículo e imaturo.


Chegando ao terceiro ato… meu Deus, que confusão. Temos personagens interessantes, mas motivações mal desenvolvidas. Não vou revelar os Ghostfaces, mas fica a pergunta: será que o Kevin realmente achou que essa era a melhor ideia? Um dos assassinos até me agradou, mas sua motivação é extremamente superficial dentro da proposta apresentada.


O uso de inteligência artificial também ficou fraco e mal executado. Talvez a ideia fosse boa no papel, mas na prática não funcionou. E nem preciso comentar sobre trazer Stu Macher (Matthew Lillard) de volta. Eu adoro o Stu no primeiro filme, mas sinceramente não havia necessidade de incluí-lo aqui. Infelizmente, parece que o terceiro ato foi escrito por outra pessoa, e não por Kevin Williamson.


No geral, Pânico 7 não é o pior filme da franquia — pelo menos para mim. Tem falhas claras, principalmente no ato final, mas, como experiência, eu gostei de assistir. A nostalgia funciona e as menções aos filmes anteriores agradam.


Se houver um Pânico 8, espero que a franquia tenha coragem de recomeçar do zero. Sidney já sofreu demais e merece descanso.
Por fim, uma menção honrosa para Jessica (Anna Camp), que brilha em cena. Mesmo com pouco material e sem tanto apoio do roteiro, ela faz acontecer e entrega uma boa personagem.