Pega Essa Dica – Street Fighter

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Uma das grandes produções deste ano, Street Fighter chega cercado de expectativas. Afinal, com toda a tecnologia que temos hoje, era de se esperar que o filme superasse a versão dos anos 90, que contava com grandes estrelas como Jean-Claude Van Damme e o saudoso Raul Julia. Porém, por incrível que pareça, as lutas daquela versão eram melhores do que as desta produção de 2026.

O filme é dirigido por Kitao Sakurai (Bad Trip, de 2021, The Passage, de 2018, e episódios da segunda temporada de Treta e da série Twisted Metal). Acredito que a falta de experiência do diretor com produções desse porte tenha pesado no resultado. Afinal, estamos falando de uma grande produção que busca revitalizar uma franquia baseada no famoso game de luta da Capcom. E faltou justamente aquilo que deveria ser o principal atrativo do filme: as lutas entre os personagens, a coreografia e a violência. Nesse quesito, quando comparado a outra produção deste ano, Mortal Kombat II, Street Fighter perde de 10 a 0.

Quem jogou, joga ou curte os videogames deverá gostar, pois a maioria dos personagens clássicos está presente no filme. Como não poderia ser diferente, a história concentra suas atenções na dupla Ken Masters e Ryu, interpretados, respectivamente, por Noah Centineo (que viverá a versão jovem de Rambo no novo filme da franquia, que contará a origem do personagem) e Andrew Koji (Trem-Bala, de 2022, e Contra o Mundo, de 2023).

Os dois foram treinados juntos, mas um acontecimento mortal faz com que sigam caminhos diferentes e passem a viver de maneiras completamente distintas. Até que o vilão M. Bison, interpretado por David Dastmalchian (Entrevista com o Demônio, de 2023, e Duna: Parte Dois, de 2024), traz de volta o torneio Street Fighter para colocar em prática mais uma de suas armadilhas e alcançar seu maior desejo: o poder infinito.

Um dos pontos positivos do filme é a fidelidade ao visual dos videogames da Capcom. O impacto visual e as referências ao material original funcionam muito bem. As cores fortes, os figurinos clássicos e a caracterização fiel dos personagens são destaques. A direção também faz um excelente trabalho na criação dos cenários de combate, repletos de neon e vivacidade. Em vários momentos, parece que estamos vendo na tela grande aquilo que encontrávamos nos fliperamas dos anos 90. E, principalmente, quando Ryu lança seu famoso golpe, os fãs vão arrepiar!

Outro grande acerto é a trilha sonora, que é espetacular. Temos clássicos do rock e do pop, além dos temas sintetizados que remetem aos jogos da Capcom. A música que a dupla canta no começo e no final do filme é demais!

O grande problema é justamente aquilo que mais queremos ver: lutas bem coreografadas, muito sangue e violência. E é aí que o filme decepciona. As lutas são rápidas demais, sem tempo suficiente para que os atores demonstrem suas técnicas e habilidades. Temos um excelente ator de artes marciais como Andrew Koji, que interpreta Ryu e mostra que manda muito bem nas cenas de combate. Porém, as sequências são tão curtas que acabam tirando boa parte do prazer de assistir ao filme. É frustrante ver tanto potencial desperdiçado justamente no elemento que deveria ser o grande destaque da produção.

Mas, se você quer ir ao cinema para conferir uma adaptação de um clássico dos videogames, poderá se divertir bastante. O filme é divertido, empolgante e colorido, traz vários clássicos musicais dos anos 90 e ainda conta com flashbacks em animação que são ótimos e ajudam a compreender melhor a história.

Agora, é torcer para que o filme tenha uma boa bilheteria e que uma continuação aconteça, porque potencial para melhorar existe de sobra. Só espero que, dessa vez, invistam mais nas lutas, na coreografia e na violência que os fãs tanto esperam. Estou na torcida!