Pega Essa Dica – Rio de Sangue

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Começo a minha crítica dizendo o seguinte, o cinema nacional está mais vivo que nunca, e que devemos cada vez mais valorizar os “guerreiros nacionais” que fazem os nossos longas metragens, independente do tema, ação, romance, drama, comédia e etc.. e principalmente ao governo federal atual que incentiva a nossa cultura.
Dito isto, temos mais um filme de aventura, ação e drama ecológico (eu sou fã de filmes de ação, principalmente os nacionais que abordam as nossas realidades seja na alta sociedade até as comunidades brasileiras de todo o Brasil, como Tropa de Elite e Cidade de Deus), aqui temos como foco a Amazônia com o drama do garimpo, o narcotráfico e a corrupção.

“Rio de Sangue” chega aos cinemas com uma proposta ambiciosa: unir ação, denúncia social e drama familiar em um único filme. E, apesar de não acertar em tudo, consegue entregar uma experiência envolvente, principalmente pelo seu cenário e pela força da protagonista.

A história acompanha Patrícia, uma policial afastada após uma operação fracassada. Tentando recomeçar, ela vai para a Amazônia, mas tudo muda quando sua filha é sequestrada por garimpeiros. A partir daí, ela entra em uma missão intensa de resgate, enfrentando criminosos e os perigos da região.

A ambientação na Amazônia é, sem dúvida, um dos maiores destaques. O filme utiliza muito bem o ambiente hostil, transformando a floresta quase em um personagem. A sensação de perigo é constante, seja pela presença dos garimpeiros, seja pelos próprios desafios naturais da região. Isso ajuda a criar uma tensão contínua que sustenta boa parte da narrativa.

O diretor Gustavo Bonafé constrói uma história em que a protagonista é movida a fazer tudo o que for possível, ou até impossível, para fazer justiça e proteger quem ama. A policial Patrícia, vivida por Giovanna Antonelli, é apresentada como uma agente “linha dura” de São Paulo que, durante uma missão, acaba matando um parente de um chefão do tráfico e passa a ser jurada de morte. Para conter a situação, ela é transferida para o Pará, onde sua filha Luiza, interpretada por Alice Wegmann, vive e trabalha como médica ajudando comunidades indígenas. Em uma expedição no meio da floresta, o grupo acaba caindo em uma emboscada de garimpeiros que tentam dominar a área, resultando na morte de vários integrantes e no sequestro de Luiza por um motivo que o próprio filme desenvolve. A partir daí, Patrícia usa toda sua experiência policial para enfrentar o sistema criminoso que controla a região.

Giovanna Antonelli carrega o filme com segurança. Sua personagem ganha camadas ao longo da narrativa, principalmente quando o lado emocional entra em conflito com a ação. Já Alice Wegmann entrega intensidade e presença, funcionando bem dentro da proposta mais dramática.

O filme toca em temas importantes, como o conflito entre indígenas e garimpeiros, além da influência desses grupos criminosos dentro da política e até da própria polícia local, o que adiciona um pano de fundo relevante à trama.

As cenas de ação e violência são bem executadas, e a fotografia valoriza muito bem as paisagens da região amazônica, criando um visual forte e imersivo. No entanto, o roteiro apresenta falhas ao não desenvolver melhor alguns pontos importantes, como a relação entre mãe e filha, que carrega um passado de conflitos, mas é pouco explorada. Outro ponto que fica em aberto é o conflito inicial envolvendo o tráfico em São Paulo, que poderia ter sido mais aprofundado, a não ser que exista a intenção de uma continuação.

No geral, “Rio de Sangue” mistura aventura com drama social e familiar, mantendo uma tensão constante. O filme tenta trabalhar diversas camadas ao mesmo tempo, como sobrevivência, vingança, crítica social e espetáculo visual. Porém, acaba não equilibrando todos esses elementos da melhor forma. Ainda assim, é válido reconhecer o esforço do diretor em construir uma narrativa ambiciosa, e fica a expectativa de que uma possível continuação consiga evoluir ainda mais essa proposta.