Pega Essa Dica – A Morte do Demônio: Em Chamas

cinema Crítica Cinema filme Pega Essa Dica Pega Essa Novidade

Depois do sucesso de A Morte do Demônio (2013) e A Morte do Demônio: A Ascensão (2023), a franquia retorna com A Morte do Demônio: Em Chamas, dirigido por Sébastien Vaniček, com roteiro assinado por Vaniček e Florent Bernard. A produção continua nas mãos de Sam Raimi e Robert G. Tapert, com Bruce Campbell como produtor executivo, mantendo a essência da série enquanto busca apresentar uma nova abordagem para o universo dos Deadites.

A história acompanha Alice, uma mulher que, após uma tragédia pessoal, vai até a casa isolada da família do falecido marido. O que deveria ser um momento de luto rapidamente se transforma em um pesadelo quando uma força demoníaca desperta e começa a possuir todos ao redor, levando o grupo a uma luta desesperada pela sobrevivência.

A direção de Sébastien Vaniček funciona muito bem quando o assunto é tensão. O diretor entrega um filme violento, claustrofóbico e visualmente pesado, sem medo de explorar o gore e os efeitos práticos, que continuam sendo um dos grandes trunfos da franquia. É um longa que entende o que os fãs gostam de ver quando o assunto é violência gráfica e Deadites, mas que, ao mesmo tempo, toma algumas decisões que nem sempre funcionam.

O roteiro acerta ao expandir a mitologia e inserir referências aos filmes anteriores. A ligação com A Ascensão é interessante e certamente vai agradar aos fãs mais atentos. Porém, algumas conexões parecem forçadas e levantam perguntas que o filme simplesmente não responde. Sem entrar em spoilers, há situações que dependem demais da interpretação do público, principalmente em relação à cronologia e à troca de alguns atores, algo que acabou me tirando da experiência em diversos momentos.

A fotografia aposta em uma identidade mais fria e dessaturada. Embora combine com a atmosfera do filme, o filtro utilizado me incomodou em vários momentos, dando uma aparência excessivamente artificial para algumas cenas. Ainda assim, o trabalho de iluminação e os enquadramentos conseguem criar boas sequências de suspense.

Outro ponto que me incomodou foi a construção dos personagens. O drama familiar até tem potencial e serve como base emocional para a história, mas acaba se tornando cansativo porque os personagens raramente despertam empatia ou tomam decisões que façam o público realmente torcer por eles. Falta carisma ao elenco, e isso pesa bastante quando o filme tenta investir no lado emocional.

A trilha sonora também foi uma surpresa, mas não de forma positiva. A presença de músicas cantadas destoa da identidade da franquia. Sempre enxerguei Evil Dead como uma franquia que utiliza os efeitos sonoros, o silêncio e a ambientação para gerar desconforto. Senti falta daquele desenho de som marcante, presente principalmente nos filmes de 2013 e 2023, que contribuía muito mais para a tensão do que uma trilha musical tradicional.

Infelizmente, a cena de abertura também não me convenceu. Para uma franquia conhecida por começar seus filmes de forma impactante, achei essa, de longe, a abertura mais fraca de toda a franquia.

O terceiro ato foi, para mim, a maior decepção. O final me incomodou bastante e hoje o considero um dos mais fracos da franquia. As cenas pós-créditos ajudam a deixar o público curioso. Uma delas já era relativamente previsível para quem assistiu ao filme, enquanto a outra realmente surpreende. Ainda assim, essa surpresa levanta mais perguntas do que respostas e, na minha opinião, precisará ser muito bem explicada nos próximos filmes para fazer sentido dentro da mitologia.

No fim das contas, A Morte do Demônio: Em Chamas é um bom filme de terror. Entrega violência, efeitos práticos de qualidade e mantém vivo o espírito brutal da franquia. Porém, está longe de ser um dos meus favoritos. A direção mostra personalidade, mas o roteiro deixa pontas soltas, os personagens não conquistam o público, algumas escolhas visuais e sonoras fogem da identidade da franquia, e o desfecho acaba diminuindo o impacto da experiência. Ainda assim, é um capítulo que merece ser visto pelos fãs de Evil Dead, principalmente pelas referências e pelo caminho que deixa aberto para o futuro da franquia.