Pega Essa Dica – Primavera

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Chega aos cinemas nacionais no dia 9 de Julho, a produção franco-italiano de título Primavera, dirigido pelo estreante Damiano Michieletto e baseado no romance Stabat Mate inédito no Brasil, de Tiziano Scarpa.

Acompanhamos aqui a trajetória da personagem Cecilia (Tecla Insolia), uma orfã que faz parte de um grupo de musicistas na famosa Ospedalle de la Pietá, no início do século XVIII, sendo o maior orfanato de Veneza, era também o local onde as órfãs mais talentosas eram apresentadas ao estudo da música. Seus concertos eram um dos mais prestigiados do mundo e eram apresentados por trás de uma grade especialmente para os ricos da cidade e patrocinadores do orfanato.

Com uma queda gradual no número de patrocinadores e publico, o orfanato de vê obrigado a contratar um novo professor, daí entrando o não tão renomado na época Antônio Vivaldi (Michele Riondino), aceitando um pagamento menos moderado que o professor anterior ele aceita o ofício de continuar o trabalho. Cecilia se destacada entre as alunas pelo dom com o violino, porém ja esta com data de casamento praticamente marcada, pois assim que a guerra Otomano-Veneziana acabar o futuro prometido marido irá busca-la e assim tira-la do orfanato e fazer dela uma dona de casa.

Com uma antagonista fria mostrada desde a primeira cena a Governanta (Andrea Pennacchi) vemos que a vida de Cecilia e das órfãs não é nada fácil dentro daqueles muros opressores em arquitetura e ordens que devem ser seguidas à risca, com base na religião e cultura italiana da época. O filme nos deixa respirar com suas raras cenas externas, com uma fotografia natural que enaltece a beleza de Roma Veneza, as garotas se sentem livres por alguns momentos, e será uma ‘liberdade’ vindoura apenas com seus devidos futuros casamentos.

O filme segue com um ótimo ritmo, as cenas de dialogo soam muito naturais, de conversas sobre cozinha, música, vidas futuras e assuntos da curiosidade feminina sobre o sexo. Vivaldi e Cecilia tem uma boa química que beira uma tensão amorosa apenas pelos olhares e trocas de interesses pela música, o que apaga um pouco a proposta do filme em colocar um músico desse calibre como um personagem praticamente secundário.

Primavera é uma ótima pedida para fãs de música erudita, Vivaldi, um ponto crucial na história da Itália pelo ponto de vista de uma garota se tornando mulher em um ambiente opressivo de todos os lados.
A trilha sonosa sempre com os violinos maravilhosos de Vivaldi nos colocam a par de assistir e ouvir cenas externas de tirar o fôlego com o melhor dos acordes da musica erudita italiana, eu como fã de Vivaldi me senti muito satisfeito com a junção dessas duas coisas.

Os figurinos e ambientação são muito caprichados, como todo filme italiano consegue caprichar muito nesses detalhes, toda a junção desses detalhes dão a devida imersão de estarmos la testemunhando aquela história sobre mulheres reprimidas em um orfanato, estudo da música como válvula de escape e aperfeiçoamento e a guerra naquele momento do século XVIII.