Um dos melhores filmes nacionais do ano.
O longa é emocionante e traz uma mensagem bonita sobre amizade, luto e recomeços. Dirigido por Diego Freitas e distribuído pela Paris Filmes, apresenta uma proposta interessante, mas que poderia ter sido melhor aproveitada. É uma história que consegue emocionar e divertir, embora alguns problemas de ritmo impeçam que determinados momentos alcancem todo o seu potencial.
Julia e Gabi são melhores amigas desde a infância, mas possuem personalidades completamente diferentes. Quando Julia morre, deixa dez cartas para Gabi, cada uma com um desafio que a incentiva a enfrentar seus medos, sair da zona de conforto e descobrir novas possibilidades. Enquanto tenta cumprir as últimas vontades da amiga, Gabi precisa lidar com a saudade e aprender a viver sem a pessoa que sempre esteve ao seu lado.

O grande destaque é Any Gabrielly, que segura a narrativa com uma atuação ótima, transmitindo a dor e a vulnerabilidade de Gabi com muita sensibilidade. É por meio dela que nos conectamos com a personagem e acompanhamos sua transformação. Giulia Be também está bem como Julia, contribuindo para dar força à amizade que sustenta a história.
Um dos problemas que senti está na quebra de clima entre algumas cenas. Existem momentos em que você está completamente imerso na história, emocionado e prestes a chorar, mas a sequência seguinte muda de tom tão rapidamente que acaba interrompendo esse sentimento. Falta tempo para algumas emoções respirarem, e isso diminui o impacto de cenas que poderiam ser ainda mais marcantes.
Acredito que a proposta funcionaria muito bem como uma série. Afinal, são dez cartas, cada uma com um desafio deixado por Julia. Esse formato permitiria explorar melhor cada missão, desenvolver as relações de Gabi e aprofundar seu processo de amadurecimento. Com mais tempo, a história poderia dar a cada desafio o espaço necessário para construir consequências e emoções mais significativas.

O roteiro de Diego Freitas e Rod Azevedo, baseado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima, apresenta uma mensagem importante: seguir em frente não significa esquecer quem partiu. A trilha sonora contribui para a atmosfera emocional, enquanto os momentos de humor aliviam o peso da narrativa. Por outro lado, algumas situações são previsíveis, e a abordagem da culpa de Gabi poderia ser menos repetitiva.
Apesar dessas ressalvas, As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você é uma produção que merece ser assistida, principalmente pela atuação de Any Gabrielly e pela sensibilidade de sua história. É um filme que tinha potencial para ser ainda melhor, mas que consegue tocar o público e deixar uma reflexão sobre a importância de aproveitar a vida e valorizar as pessoas que fazem parte dela.

