Pega Essa Dica – Dentro da Baleia

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Coitada da baleia, não tem paz nem pra comer.

Dentro da Baleia é um bom filme de sobrevivência, daqueles que conseguem provocar aflição ao colocar o protagonista em uma situação desesperadora. Dirigido por Brian Duffield, o longa aposta em uma premissa inusitada, tensão constante e uma experiência claustrofóbica. Gostei do resultado, apesar de algumas escolhas do roteiro me incomodarem, principalmente quando a história deixa de lado a própria proposta.

Na trama, Jay Gardiner (Austin Abrams) mergulha no oceano em busca dos restos mortais do pai, Mitt (Josh Brolin), mas acaba sendo engolido por um gigantesco cachalote. Preso dentro do animal e com apenas uma hora de oxigênio, ele precisa encontrar uma maneira de escapar enquanto relembra a relação complicada com o pai e tenta lidar com seus próprios traumas. A sobrevivência física acaba se misturando à necessidade de superar questões emocionais que ficaram mal resolvidas.

Um dos pontos positivos é a atuação de Austin Abrams, que consegue transmitir o desespero e a vulnerabilidade de alguém lutando contra o tempo. Josh Brolin também funciona bem nos flashbacks, dando peso à relação entre pai e filho. E é curioso reencontrar os dois atores de A Hora do Mal em outra produção, agora em uma história completamente diferente. Abrams segura boa parte do filme praticamente sozinho, enquanto Brolin contribui para o lado dramático da narrativa.

O elenco feminino também merece destaque. Elisabeth Shue, conhecida por O homem sem sombra, traz experiência ao elenco. Jane Levy, de A Morte do Demônio e O Homem nas Trevas, é outro nome conhecido do terror, enquanto Emily Rudd, da trilogia Rua do Medo e da série One Piece, também integra a produção. Apesar de serem atrizes interessantes, sinto que as personagens femininas poderiam ser mais desenvolvidas e ter uma participação mais significativa na história pelo nome de peso que carregam.

Visualmente, o filme consegue criar uma experiência sufocante. A ideia de acompanhar Jay preso no interior de um animal gigantesco é angustiante, e a luta para encontrar uma saída mantém o interesse. É um daqueles filmes que fazem você pensar em como reagiria diante de uma situação tão absurda. Porém, existe um problema evidente: a falta de credibilidade. Por mais que seja uma obra de ficção, é difícil comprar a ideia de alguém conseguir sobreviver por tanto tempo dentro de um animal nessas condições. O filme exige que a gente aceite muita coisa para embarcar na proposta.

Atenção daqui em diante, a crítica contém spoilers do desfecho.

E é justamente no final que está minha maior decepção. Jay consegue lutar pela própria sobrevivência, mas a fuga acontece de uma maneira exagerada: ele cria uma espécie de bomba dentro da baleia, provoca uma explosão e ainda consegue sair vivo, enquanto o animal é despedaçado. A sequência ultrapassa os limites do que o próprio filme vinha construindo e torna o desfecho difícil de levar a sério. Em vez de parecer uma solução desesperada e coerente, a cena soa como um recurso extremo usado apenas para encerrar a história.

Sinceramente, qual era a necessidade disso? A baleia não é a vilã da história. Ela está simplesmente vivendo no seu ambiente, e Jay foi parar dentro dela acidentalmente. O animal não escolheu transformar a vida dele em um pesadelo. Entendo que o roteiro precisava encontrar uma saída para o protagonista, mas transformar essa fuga em uma explosão tão absurda, que mata e despedaça a baleia enquanto Jay sai praticamente ileso, parece uma escolha exagerada e pouco convincente.

Para mim, seria muito mais interessante se Jay conseguisse escapar por meio de uma solução menos espetacular e mais plausível, sem que o animal precisasse morrer. Os dois poderiam sair vivos dessa situação, e isso não diminuiria a tensão nem a conquista do personagem. Pelo contrário, daria ao desfecho uma escolha menos cruel e mais coerente com a ideia de sobrevivência.

No fim, Dentro da Baleia é um bom filme do gênero, com uma premissa interessante, boas atuações e momentos de tensão que funcionam. Gostei da experiência, mas essa decisão final pesa bastante na minha avaliação.

É um filme que eu gostei de assistir, mas que não tenho vontade de revisitar justamente por causa desse desfecho. A sobrevivência de um personagem não precisava significar a morte de outro muito menos de uma forma tão exagerada.