“Chainsaw Man: Arco da Reze” chega aos cinemas com a difícil missão de transformar um dos arcos mais intensos e melancólicos do mangá de Tatsuki Fujimoto em um longa coerente, emocional e visualmente impactante e, no geral, consegue. A produção acerta em cheio na estética e entrega uma animação de cair o queixo, mas também faz escolhas que dividem quem esperava a brutalidade crua da obra original.

O filme cobre o período em que Denji conhece Reze, uma aparente paixão casual que rapidamente se revela uma armadilha explosiva literalmente. A direção aposta em um tom mais cinematográfico: planos longos, cores frias e uma trilha que alterna ternura e desespero. Há uma tentativa clara de humanizar Denji e tornar Reze mais do que uma inimiga; ela é uma figura trágica, quase romântica, que desnuda o vazio emocional do protagonista. É bonito, mas menos incômodo e isso é ao mesmo tempo força e fraqueza.
Visualmente, o resultado é maravilhoso. As sequências de ação lembram danças, muita violência também. Trata o grotesco com elegância: o sangue ainda jorra, mas o horror é mais estético do que visceral. Fica menos “nojento”, mais “sofisticado”. Alguns fãs podem sentir falta do desconforto do mangá, mas é inegável que a experiência em tela grande é hipnótica.
No campo narrativo, o longa suaviza o cinismo e aprofunda a sensibilidade. No mangá, o fim de Reze é cruel, ganha contornos poéticos. Essa escolha emociona, mas tira um pouco da ironia que faz Fujimoto ser quem é. O foco no romance e a redução da presença de Makima deixam o filme mais íntimo, mas também menos político.
Ainda assim, “Chainsaw Man” cumpre sua função: emociona, impressiona e prepara terreno para o próximo passo, anunciado na cena pós-créditos com a entrada de Quanxi e o prenúncio do arco dos Assassinos Internacionais.
É um filme feito claramente para quem já ama esse universo. Para os iniciantes, pode ser confuso; para os fãs, é um deleite visual e emocional que mostra como Denji, no fim das contas, continua lutando não apenas contra demônios, mas contra o próprio desejo de ser amado.

