Parece que os diretores e roteiristas estão ficando sem criatividade. Quando um estúdio lança um filme com tubarão gigante, ou até aquele clássico em que um avião cai no mar e os passageiros precisam enfrentar tubarões, pouco tempo depois aparece outro tentando surfar na mesma onda. Agora, aparentemente, chegou a vez do polvo gigante.

Em Kraken: Terror no Mar, Nikolay Lebedev assume a direção e divide o roteiro com Aleksey Sidorov. A proposta mistura ação, ficção científica, drama militar e uma criatura gigantesca escondida nas profundezas.
A premissa até é interessante: um submarino russo desaparece no Mar da Groenlândia e uma equipe parte em uma missão para descobrir o que aconteceu e tentar resgatar os sobreviventes. No caminho, eles descobrem que existe algo muito maior e mais perigoso escondido no fundo do oceano.
O problema é que o filme parece ter medo de entregar justamente aquilo que promete.

Quando você coloca KRAKEN no título, eu quero ver o Kraken! Quero sentir o tamanho da criatura, quero tensão, ataques, destruição e aquela sensação de que os personagens estão diante de algo que não conseguem controlar.
Mas o roteiro passa muito tempo investindo nos conflitos familiares, na parte militar e até em um romance, enquanto o monstro fica praticamente escondido. E isso acaba sendo frustrante, principalmente porque o Kraken é justamente o elemento mais interessante da história.
Visualmente, existem bons momentos. As cenas dentro do submarino funcionam e ajudam a criar uma sensação de claustrofobia. A criatura também tem um visual interessante. O problema é que o filme não aproveita todo o potencial que ela poderia oferecer.
E é aí que entra minha maior crítica: cadê a criatividade?

O cinema de criaturas gigantes parece cada vez mais preso à mesma fórmula. Mudam o animal, mudam os personagens, mudam o cenário e pronto: temos mais um filme.
Primeiro foram os tubarões gigantes. Depois vieram aviões, barcos e outras situações envolvendo criaturas marinhas. Agora temos o polvo gigante. E daqui a pouco provavelmente teremos outro animal gigantesco saindo das profundezas.
Kraken: Terror no Mar não chega a ser um desastre. Ele tem escala, boas cenas de ação e uma ideia que poderia render um excelente filme de monstros. Mas o roteiro tenta contar histórias demais e acaba deixando de lado justamente aquilo que deveria ser o grande espetáculo.
No fim, fica aquela sensação de que o Kraken tinha potencial para ser o protagonista, mas acabou virando coadjuvante do próprio filme.

