Em Extermínio: A Evolução, dirigido por Danny Boyle, já se passaram três décadas desde que o vírus da raiva escapou de um laboratório e transformou a humanidade em hordas de infectados violentos e apavorantes. Em Extermínio: A Evolução, acompanhamos um novo capítulo dessa distopia: um grupo de sobreviventes conseguiu se isolar em uma ilha, protegida por muralhas e conectada ao mundo contaminado por uma única estrada fortemente vigiada. Mas a aparente estabilidade começa a ruir quando uma missão obriga alguns membros da comunidade a cruzarem essa fronteira. Fora da segurança dos muros, eles não apenas enfrentam os infectados como também descobrem mutações inquietantes, que atingiram inclusive aqueles que escaparam da infecção.

O terceiro filme da franquia consegue equilibrar muito bem diferentes elementos, entregando uma dose significativa de terror, um drama intenso e até uma pitada de humor que alivia a tensão nos momentos certos. Essa combinação torna a narrativa mais humana e envolvente, permitindo que o espectador se conecte profundamente com os personagens e suas batalhas, tanto internas quanto externas.
Um ponto positivo é que Extermínio: A Evolução pode ser apreciado sem que você precise ter assistido aos dois primeiros filmes a história é construída de forma acessível e autônoma, garantindo que novos espectadores não se sintam perdidos. Entretanto, para quem conhece o contexto e a origem da saga, a experiência torna-se ainda mais rica, com camadas de significado que ampliam a imersão e o impacto emocional.
Como todo bom filme de zumbi, Extermínio: A Evolução não poupa em cenas explícitas e violentas, prepare-se para encontrar infectados mais grotescos e nojentos do que nunca. Uma das coisas que mais me impressionou foi a velocidade dessas criaturas; eles definitivamente não são os zumbis lentos e arrastados que estamos acostumados a ver. Essa agilidade traz uma tensão constante, tornando cada encontro um desafio imprevisível e de tirar o fôlego.
O filme também traz uma reflexão muito interessante sobre os sobreviventes desse vírus, que conseguiram criar sua própria sociedade isolada, com regras e modos de vida específicos para garantir sua segurança e continuidade. Essa construção social adiciona uma camada de profundidade à narrativa, mostrando que a sobrevivência vai muito além de fugir dos infectados e envolve adaptação cultural e emocional.
Um dos momentos mais marcantes acontece quando Spike e seu pai partem para uma missão do outro lado da barreira, em uma espécie de rito de passagem para o menino. Durante essa jornada, o pai de Spike explica para ele os diferentes tipos de infectados, o que funciona como uma espécie de aula para o público também. Através dessa cena, aprendemos junto com Spike sobre as variações dessas criaturas, suas características, comportamentos e perigos o que torna a experiência mais imersiva e esclarecedora.
Fiquei angustiada em boa parte do filme, que cerca de 70% dele é capaz de gerar uma ansiedade palpável no espectador. Essa tensão vem, em grande parte, das decisões difíceis e nem sempre acertadas que alguns personagens tomam ao longo da trama. Um exemplo marcante é o arco do Spike, que é muito dramático e profundo, especialmente no que diz respeito à sua família.

A mãe de Spike está doente, e ele precisa encontrar um médico para tentar salvá-la. A decisão de levar a mãe fragilizada para atravessar uma região infestada de infectados é, sem dúvida, uma ideia péssima mas é importante lembrar que Spike tem apenas 12 anos e cresceu em um mundo apocalíptico. Dificilmente poderíamos esperar outra escolha dele diante de tanta pressão.
No entanto, há algumas cenas que pedem uma dose extra de suspensão de descrença como aquela em que há um barulho altíssimo e Spike simplesmente não acorda. São detalhes que podem parecer meio difíceis de engolir, mas que acabam fazendo parte do ritmo do roteiro e das necessidades narrativas. O filme precisa avançar, então certas situações surgem de maneira repentina para impulsionar a história.
Apesar disso, todo o elenco está muito bem, transmitindo com intensidade o desespero, a tristeza e a complexidade emocional de cada personagem. Cada um carrega seus próprios demônios, e o espectador consegue sentir e até compreender suas escolhas, mesmo as mais complicadas. A narrativa é contada, em sua maior parte, pela perspectiva de Spike, o que torna o filme ainda mais pesado afinal, estamos acompanhando uma criança lidando tão de perto com a vida e a morte, nesse universo cruel, crianças são forçadas a aprender a matar, e não há espaço para inocência.
Apesar de se tratar de um filme de zumbi, surpreende ao oferecer cenários visualmente lindos, que proporcionam momentos breves de calmaria e beleza em meio ao caos. Essas pausas são pequenas, porém muito bem-vindas, dando ao espectador a chance de respirar e apreciar um pouco da estética do filme mas não se engane, elas duram pouco. O desfecho também é muito bem construído, deixando um gancho claro para uma possível continuação.
No geral, gostei bastante do filme. Ele é intenso do começo ao fim e cumpre bem tudo aquilo que um bom filme de zumbi deve entregar: terror, drama, ação e uma carga emocional profunda. Foi essa complexidade emocional, aliada à atmosfera densa e ao roteiro envolvente, que me conquistaram.

