Pega Essa Dica – Malês

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Malês é um filme de drama brasileiro, dirigido por Antônio Pitanga e roteirizado por Manuela Dias. Produzido pela Obá Cacauê Produções, chega aos cinemas nacionais no dia 2 de outubro.

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Estrelado por Rocco Pitanga, Antônio Pitanga, Camila Pitanga e Samira Carvalho, o longa — que teve sua première nacional no Festival do Rio 2024 — destaca a importância da união entre diferentes povos, tribos e religiões para o sucesso da revolta e para o fim da escravidão. Ambientada em Salvador de 1835, a trama acompanha a trajetória de dois jovens muçulmanos, arrancados de sua terra natal na África e escravizados no Brasil logo após o casamento. Separados pelo destino cruel, ambos lutam para sobreviver e para um dia se reencontrarem.

A proposta do filme vai além de retratar a escravidão e a Revolta dos Malês. Ele convida o espectador a viver uma experiência visceral, carregada de emoção e verdade. O roteiro não suaviza a brutalidade da época: expõe a dor dos escravizados e denuncia a arrogância dos que se colocavam como donos do mundo. Cada palavra, cada gesto e cada lágrima são ecos de um passado que ainda ressoa em nossa história coletiva.

Com um elenco espetacular, as atuações são intensas e marcantes. Cada olhar, cada silêncio e cada grito parecem cuidadosamente moldados para transmitir a mensagem do filme de forma profunda e inesquecível. Adaptar um fato histórico em apenas duas horas não é tarefa simples, mas Antônio Pitanga e Manuela Dias alcançam um resultado que honra tanto a memória quanto a arte.

A fotografia também merece destaque: recriar o Salvador de 1835 exige precisão, e aqui cada detalhe — dos trajes às construções, da luz ao enquadramento — nos transporta para um tempo distante, mas nunca esquecido.

Malês é mais do que um retrato histórico; é um chamado à reflexão. Ele nos lembra que, sempre que povos diferentes se unem em nome da justiça, a resistência se transforma em revolução. Ontem, em 1835, lutaram contra a escravidão. Em 1969, em Stonewall, lutaram pela liberdade. Em 2013, nas ruas, lutaram pela mudança. E hoje, ainda e sempre, cabe a nós nos unirmos contra toda forma de opressão. Porque enquanto houver injustiça, a luta continuará — e a união será nossa maior arma.