Pega Essa Dica- Novembro

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Novembro, dirigido por Tomas Corredor, retrata a invasão do Palácio da Justiça colombiano, oferecendo uma perspectiva crua e implacável da violência e da desumanização provocadas pela guerra. A narrativa se desenrola como um último grito de desespero, acompanhando mais de 24 horas de tensão e claustrofobia. No centro da história está Monita, uma guerrilheira que implora a seu companheiro para interromper a loucura e permitir que todos saiam vivos. Mas seu pedido é interrompido por novas explosões do exército, reforçando o caráter implacável do conflito. Ao final, resta apenas o vazio, a destruição e o silêncio das vidas perdidas e dos ideais esmagados pela força militar. Esta é a essência de Novembro.

Com pouco mais de uma hora de duração, o diretor opta por intercalar momentos ficcionais com imagens documentais de jornais da época, sendo estas as únicas representações externas ao edifício. Essa escolha reforça a sensação de claustrofobia e confinamento, ao mesmo tempo em que conecta a narrativa à realidade histórica que a inspira.

O filme provoca uma reflexão intensa sobre o que nos acontece quando tudo se rompe. Não se trata de uma história com heróis ou vilões, mas de pessoas confrontadas com uma realidade horrível e impiedosa. O mais assustador é que essa realidade ainda persiste não é apenas algo do passado, e poderia ocorrer a qualquer momento e em qualquer lugar.

A fotografia traz dois tipos principais de composição planos fechados e planos com ampla profundidade de campo, reforçando a sensação de confinamento e tensão. A trilha sonora é quase inexistente, dando lugar aos silêncios e ruídos do ambiente, que se tornam tudo sufocante. Dessa forma, o espectador é colocado diretamente na linha de fogo, compartilhando da dor, do medo e da agonia dos personagens.

Novembro é um filme tenso e claustrofóbico, cuja atmosfera é marcada por explosões, sangue, mortes e desespero. A obra não hesita em confrontar o espectador com a brutalidade dos acontecimentos, encerrando com uma homenagem silenciosa às vítimas do ataque. A frase dita pelos guerrilheiros a uma mãe preocupada com seus filhos “Estamos fazendo isso por vocês” torna-se ainda mais trágica e perturbadora, quando lembramos que aquelas pessoas não tiveram escolha e jamais voltaram para suas famílias.

É um filme curto, mas com alguns momentos arrastados devido à repetição de situações, que reforçam de forma insistente o sofrimento e a violência, transmitindo a sensação de exaustão. Trata-se de uma obra incômoda, cuja intenção é mostrar o colapso moral e emocional diante da guerra. É uma reflexão amarga sobre o que resta quando o diálogo e a paz se tornam impossíveis, deixando apenas o silêncio e a destruição como herança do conflito.