O Diário de Pilar na Amazônia, dirigido por Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put, acompanha a jornada de uma menina curiosa, extrovertida e exploradora que viaja pela floresta amazônica em busca de ajudar uma amiga a reencontrar sua família. Com a ajuda de uma rede mágica presente de seu avô Pilar parte para a Amazônia ao lado do amigo Breno e do gato Simba. Lá, eles conhecem Maiara, uma menina ribeirinha cuja comunidade foi destruída. Juntos, com o apoio de figuras do folclore brasileiro, embarcam numa missão para localizar a família perdida de Maiara e impedir que o desmatamento continue devastando a região.

O que mais me encanta no filme é sua mensagem apresentar às crianças, desde cedo, a importância de respeitar e preservar a natureza. A narrativa usa o lúdico como ferramenta educativa, tornando o tema mais leve e acessível ao público infantil e isso realmente funciona.
A direção é segura e clara em relação ao que deseja transmitir. O longa apresenta bem diferentes aspectos da floresta e celebra nossa cultura ao incluir personagens do folclore brasileiro que, sinceramente, eu adoraria ver com ainda mais tempo de tela.

No roteiro, porém, algumas escolhas soam forçadas. Mesmo sendo um filme voltado para crianças, certas situações são difíceis de aceitar, como a própria Pilar desconfiar que seu pai pudesse ser um boto. Os vilões também são pouco desenvolvidos diante de um tema tão real e urgente, havia espaço para algo mais impactante. Os diálogos, por sua vez, são previsíveis e fracos embora possam funcionar dentro da proposta infantil.
As atuações das crianças se encaixam bem na proposta mais caricata do filme, e quando os personagens chegam à Amazônia, essa energia combinada dá certo.
O ponto mais problemático é, sem dúvida, o CGI. Os animais são visualmente frágeis e claramente artificiais. Mesmo sendo uma produção infantil, o efeito poderia ser mais caprichado e isso prejudica um pouco a imersão.

A história passa rápido, sem enrolação, mas acaba deixando lacunas como a explicação sobre o funcionamento da rede mágica. Ainda assim, acredito que este é o tipo de filme que funciona melhor quando você se apega à mensagem, e não aos detalhes técnicos.
No final, O Diário de Pilar na Amazônia cumpre bem seu papel para o público infantil mistura realidade e fantasia, traduz temas sérios de maneira lúdica e reforça a importância dos protetores da floresta. A obra lembra que, se cada um fizer sua parte, ainda é possível preservar a natureza.

