Pega Essa Dica – O Sorveteiro

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Um episódio de DPA com muito gore.

Eli Roth volta ao terror com O Sorveteiro, filme que também marca sua participação como ator. Conhecido por trabalhos como Cabana do Inferno, O Albergue, Canibais e Feriado Sangrento, Roth aposta novamente no gore, mas aqui o resultado está longe de seus melhores trabalhos. Na minha opinião, este é um dos filmes mais fracos de sua carreira.

Visualmente, O Sorveteiro é extremamente colorido, dinâmico e cheio de sangue. A proposta chama atenção, principalmente por transformar uma figura tão inocente quanto um sorveteiro em uma ameaça. Também é divertido reencontrar atrizes de Feriado Sangrento em outro filme do diretor.

O filme é carregado de referências. O gore e algumas escolhas visuais lembram bastante Terrifier, enquanto a própria ideia de crianças envolvidas em uma história macabra remete ao Flautista de Hamelin. A estética colorida e a pegada dos anos 80 também lembram produções como It e Stranger Things. Em alguns momentos, até a trilha sonora parece fazer referência a Sexta-Feira 13, ou pelo menos traz uma sonoridade muito parecida.

O problema começa quando o filme precisa desenvolver sua própria história. A origem de toda aquela situação praticamente não é explicada. O roteiro simplesmente apresenta os acontecimentos e segue em frente, sem se preocupar muito em explicar de onde tudo aquilo surgiu ou quais são exatamente as regras daquele universo.

E talvez o maior problema seja o tom.

Em determinados momentos, O Sorveteiro parece um episódio de DPA: Detetives do Prédio Azul, só que com uma quantidade absurda de gore. A mistura de crianças, investigação, cores vibrantes e situações cada vez mais exageradas poderia funcionar como um terror divertido, mas o filme frequentemente ultrapassa a linha do absurdo.

Algumas situações são tão ridículas e sem sentido que acabam provocando risadas. Só que não é aquele humor inteligente ou propositalmente engraçado. Você ri porque a situação é tão absurda que fica impossível levá-la a sério.

O filme também perde ritmo em determinado momento e começa a ficar cansativo. O gore, que deveria ser um dos grandes atrativos, passa a parecer uma tentativa de manter o interesse quando a história já não consegue sustentar a narrativa.

No fim, O Sorveteiro funciona melhor como uma experiência de gore exagerado e absurdo do que propriamente como um filme de terror. Ele até pode divertir justamente por ser tão sem noção, mas isso também revela seu maior problema: quando o espectador começa a rir mais da falta de sentido do que sentir medo, alguma coisa se perdeu no caminho.

E vale deixar claro: este filme não é remake nem continuação de O Sorveteiro (1995), estrelado por Clint Howard. É uma produção independente daquela obra.

Para quem gosta de gore e de filmes propositalmente exagerados, pode existir alguma diversão aqui. É um filme tracheira que vale assistir para se divertir e passar o tempo, mas não é uma obra para ser levada a sério. Justamente por conta de seu absurdo, pode até acabar se tornando um hit cult entre o público.

O Sorveteiro é colorido, sangrento e completamente sem vergonha de ser absurdo. Pena que, desta vez, o absurdo não parece estar totalmente sob controle.

O filme estreia dia 03/ 09 nos cinemas, com distribuição da Diamond Films.