Para a comemoração de 40 anos de Xica da Silva, o cinema nacional ganha de presente a versão remasterizada em 4K, com estreia marcada para o dia 16 de Julho. Com direção de Cacá Diegues, o filme remonta a trajetória da personagem histórica de Francisca da Silva (Zezé Mota) de forma bastante ficcional do estilo de cinema brasileiro da década de 1970.

Xica da Silva vive como uma escrava em Minas Gerais na época do garimpo, que se mantém com uma vida mais digna do que as outras se aproveitando do uso do corpo para com seus senhores, de uma forma explicitamente cômica, já ficamos a par disso em suas primeiras cenas. O carisma de Xica também ajuda a manter a atenção em seus olhares para com os desaforos e sem papas na língua para afrontar os vassalos da coroa portuguesa.
Com a chegada ao Brasil do Comendador João Fernandes (Walmor Chagas), a vida de Xica se transforma, ele a ascende ao nível da burguesia com uma paixão que causa muitos julgamentos dos moradores da cidade, e que fazem de tudo para sabotar a relação que consideram como imoral aos olhos da lei e da igreja.
A subtrama do garimpo coloca um personagem mais emblemático e pouco explorado, Teodoro (Marcos Vinícius) como um herói aos nossos olhos e vilão aos olhos das autoridades da monarquia portuguesa, a exploração de terras com ouros, diamantes e outras pedras preciosas são retomadas e esquecidas no decorrer do filme, que obviamente se propõe mais à trajetoria de ascensão e queda da personagem Xica da Silva.

A remasterização está excelente, as cores ganharam mais vida, a profundidade das cenas externas das regiões geograficamente irregulares de Minas Gerais nos enchem os olhos, as cores dos figurinos extravagantes de Xica, as texturas ficam mais evidentes, deixando tudo com um ar de filme mais atual do que algo de 1976. Xica da Silva ganha nova vida com essa excelente restauração que o cinema brasileiro tem feito nos últimos anos, o que me deixa bastante animado por quais serão os próximos relançamentos remasterizados com a devida qualidade de imagem e som dignos de nos reapresentar aos clássicos do cinema brasileiro.

