Os Trapaceiros de Garibaldi é um drama histórico ambientado durante a Expedição dos Mil, acompanhando a estratégia de Giuseppe Garibaldi para derrotar o exército dos Bourbon e avançar no processo de unificação da Itália. No meio dessa campanha, dois soldados rebeldes e desertores acabam se envolvendo em uma série de manobras, blefes e estratégias que podem mudar o rumo da guerra.

O filme trabalha bastante com licenças poéticas e dramatizações, então não acho que seja uma obra que precise ser encarada como uma reconstrução histórica completamente fiel. Existe uma liberdade grande na forma como os acontecimentos e, principalmente, os personagens são apresentados.
E acho que isso fica muito evidente nos dois protagonistas. Eles são apresentados inicialmente como covardes e desertores, mas, conforme a história avança, vamos acompanhando uma transformação desses personagens. Eles carregam seus próprios passados, sonhos e conflitos pessoais e, aos poucos, desenvolvem coragem para enfrentar aquilo que está acontecendo ao redor deles. Essa parte mais pessoal é tratada de maneira relativamente leve, mas funciona para dar algumas camadas aos personagens e fazer com que a gente acompanhe não apenas a guerra, mas também a evolução deles.
Ao mesmo tempo, os dois acabam funcionando como um elemento de comédia dentro de uma história bastante pesada. Muitas situações envolvendo os desertores são construídas para provocar o riso, e eu acho que essa escolha funciona justamente porque traz uma certa leveza para o filme. Se a proposta fosse contar essa história de uma maneira completamente séria e realista, talvez esse tom não funcionasse tão bem. Mas, dentro da proposta mais dramatizada que o filme apresenta, achei interessante.

Uma coisa que pode frustrar quem espera um grande filme de guerra é justamente a quantidade de ação. Não temos tantas batalhas assim. O filme é muito mais focado em diálogos, discussões, estratégias e na maneira como os personagens vão construindo esses planos. Então, se você entra esperando uma sequência de grandes cenas de combate, provavelmente vai sair um pouco decepcionado.
Por outro lado, entender como as estratégias são construídas, por que determinadas decisões são tomadas e como os conflitos vão surgindo é uma parte interessante da narrativa.
E preciso falar dos figurinos, porque aqui o filme realmente me ganhou. O trabalho de figurino é belíssimo e funciona muito bem visualmente dentro da produção. É aquele tipo de trabalho que ajuda a construir o período e a atmosfera da história. Historicamente, também existem algumas licenças poéticas, assim como acontece com outros elementos do filme, mas visualmente o resultado é muito bonito.

As cenas são bem construídas e os diálogos também são um ponto positivo. O problema, para mim, está principalmente no ritmo. O filme é mais longo do que precisava ser e acaba prolongando algumas situações e gastando tempo com cenas que poderiam ser encurtadas ou até retiradas. E isso pesa porque, apesar de eu achar a história interessante, ela não conseguiu me prender tanto quanto eu gostaria.
No fim, não é um filme ruim. Muito pelo contrário ele tem boas atuações, bons diálogos, cenas bem realizadas, figurinos excelentes e uma proposta interessante ao misturar drama histórico, estratégia, aventura e comédia.

