Pega Essa Dica – Outra Mamãe

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Um dos piores filmes de terror do ano!A Jessica não merecia.

Outra Mamãe é aquele tipo de filme que parece acreditar que basta colocar uma entidade assustadora na tela, encher tudo de sustos e deixar o público tentando entender o que acabou de assistir. O problema é que, depois de 1h33, a sensação é de ter perdido tempo e dinheiro com uma história que não sabe aonde quer chegar. É frustrante ver uma premissa interessante ser desperdiçada dessa maneira.

A trama acompanha Bela, uma menina de 8 anos que vive em meio aos conflitos conjugais dos pais. Quando uma entidade misteriosa começa a aparecer em seu armário, assumindo a aparência de sua própria mãe, a garota desenvolve uma relação com essa presença, que inicialmente parece inofensiva, mas logo se transforma em uma ameaça para toda a família.

O grande problema está no roteiro, assinado por Nathan Elston e Josh Malerman, que também escreveu o livro que inspira a produção. A direção é de Rob Savage, enquanto James Wan integra a equipe de produtores. O elenco conta com Jessica Chastain, Arabella Olivia Clark, Jay Duplass, Dichen Lachman e Karen Allen. Com tantos nomes envolvidos, era de se esperar um resultado muito melhor.

O pior de tudo é a maneira como o roteiro conduz essa história. O filme apresenta situações, sugere explicações e cria mistérios, mas parece esquecer que o espectador também precisa entender o que está acontecendo. Não é necessário explicar absolutamente tudo em um terror, e a ambiguidade pode funcionar muito bem quando existe uma proposta por trás dela. Aqui, porém, nada parece se encaixar, as informações não são desenvolvidas e o desfecho não entrega respostas satisfatórias. É como se os realizadores dissessem: pague o ingresso, assista e pronto. O resto é problema seu.

A produção ainda tenta sustentar o terror com sustos repentinos, distorções visuais e uma entidade que poderia ser muito mais perturbadora. Só que o impacto inicial logo se perde, porque falta uma construção consistente para que o medo realmente funcione. O filme confunde mistério com falta de explicação e termina sem dar a sensação de que toda aquela jornada levou a algum lugar.

E tem um detalhe que torna tudo ainda pior: o trailer é melhor do que o filme inteiro! A prévia vende um terror perturbador, cheio de mistérios e com potencial para surpreender, mas o longa não consegue entregar nem metade do que promete. A sensação é de propaganda enganosa. A divulgação cria uma expectativa enorme em cima de algo que, na prática, não se sustenta. O trailer desperta a curiosidade, mas o filme faz você se arrepender de ter comprado o ingresso.

Durante a sessão, também é difícil não lembrar de outros filmes do gênero. A semelhança com Mama, de Andy Muschietti, pode surgir pela presença sobrenatural ligada a crianças e pela figura materna transformada em algo ameaçador. Não afirmo que seja uma referência direta, mas a comparação é inevitável. A diferença é que Mama consegue construir uma atmosfera mais envolvente, desenvolver a relação entre as personagens e dar peso emocional ao terror.

E o que dizer de Jessica Chastain? A atriz é, sem dúvida, o maior rosto desse longa e uma das principais apostas de marketing da produção. Seu nome e sua imagem são elementos fundamentais para despertar o interesse do público, principalmente de quem acompanha sua carreira e espera uma atuação à altura de seu talento. É justamente por isso que a decepção é ainda maior. Jessica parece estar em um filme que não merece sua presença. Mesmo com todo o seu potencial, ela não consegue salvar um roteiro tão frágil. A atriz merecia um material muito melhor, capaz de explorar sua força dramática, em vez de servir como o principal chamariz para uma história que não se sustenta.

Outro ponto que me incomodou foi a estratégia de marketing. A associação com James Wan, um dos nomes mais conhecidos do terror contemporâneo, certamente ajuda a criar expectativas. Em um ano em que produções como Obsessão e Backrooms ganharam destaque nas bilheterias e conquistaram boa parte do público do gênero, fica a impressão de que a divulgação tenta aproximar Outra Mamãe dessa onda de sucesso. O nome de Wan nos créditos de produção funciona como mais um argumento para atrair os fãs, mas é importante lembrar que um produtor conhecido não garante um bom filme. No fim, parece que a campanha vendeu muito mais os nomes envolvidos do que a qualidade da própria história.

Também chama a atenção a ausência de uma cabine de imprensa ou de sessões antecipadas para os críticos brasileiros, pelo menos na minha experiência. Isso não prova que o estúdio não confiasse no filme, mas, diante do resultado, é difícil não levantar a suspeita de que a estratégia preferiu alimentar a expectativa do público antes que as avaliações circulassem. Quando o trailer é muito mais eficiente do que o longa e a campanha se apoia tanto em nomes conhecidos, essa ausência acaba chamando ainda mais atenção.

No fim, Outra Mamãe é uma enorme decepção. Não basta ter uma premissa interessante, uma atriz premiada como principal rosto da divulgação e um produtor conhecido quando o roteiro não consegue construir uma história coerente, desenvolver seus mistérios ou entregar um desfecho satisfatório. O filme parece tratar o espectador como alguém que deve aceitar qualquer coisa, sem questionar, apenas porque está diante de um terror cheio de sustos.

Para mim, é um dos piores filmes do ano e um exemplo de como uma campanha de marketing pode criar expectativas que a produção simplesmente não consegue cumprir. O trailer prometia um grande terror, Jessica Chastain era o principal chamariz e James Wan ajudava a reforçar essa promessa. Pena que, quando as luzes se apagam e o filme começa, sobra muito pouco além da frustração.