Parece que deixam a série tão nas profundezas quanto o próprio nome sugere.
Profundezas é mais uma série da Netflix que começa prometendo muito, mas acaba se perdendo no próprio caminho. Com uma premissa intrigante, uma atmosfera de suspense e um elenco principal que tinha potencial para levar a produção a outro nível, a minissérie entrega um início envolvente, mas perde força à medida que troca o mistério e o terror por dramas familiares que pouco contribuem para a história principal.

Ambientada em uma pequena comunidade pesqueira de Newfoundland, no Canadá, a trama acompanha Calvin Penney (Josh Hartnett), um pescador viúvo que tenta proteger sua família e os moradores da cidade após o surgimento de uma criatura misteriosa vinda das profundezas do oceano. Ao lado da bióloga marinha Fonda Howander (Mackenzie Davis), ele tenta entender os acontecimentos estranhos que ameaçam a comunidade, enquanto seu filho Wade (Charlie Heaton) também se vê envolvido nesse mistério.
Criada por Jesse McKeown, com roteiro de Jesse McKeown, Karen Walton, Perry Chafe e Natty Zavitz, a série conta com direção de Jamie Childs, Helen Shaver e Stephen Dunn. O elenco principal reúne Josh Hartnett, Mackenzie Davis e Charlie Heaton, nomes que tinham potencial para levar a produção a outro nível. Hartnett tem presença para sustentar a história, enquanto Davis poderia ter sido mais explorada na investigação que move a trama. Já Heaton também tinha espaço para contribuir mais com o mistério envolvendo seu personagem. Infelizmente, o roteiro não aproveita todo o potencial desse elenco.
O maior problema de Profundezas é abandonar justamente aquilo que torna sua premissa interessante. A criatura desperta curiosidade desde os primeiros episódios, mas a série não desenvolve um conflito consistente em torno dela. Em vários momentos, fica a dúvida sobre o que realmente está acontecendo e qual é a natureza da ameaça. Em vez de construir o suspense e aprofundar o mistério, a narrativa se dispersa e deixa muitas questões sem respostas satisfatórias.

A série também começa a abrir espaço para outros personagens, dramas familiares e tramas paralelas que nem sempre acrescentam algo relevante à história principal. Algumas dessas situações parecem promissoras, mas acabam perdendo força ou simplesmente ficam pelo caminho. Com tantos núcleos disputando atenção, a trama perde o foco e deixa de explorar melhor a própria criatura, que deveria ser o grande destaque da produção.
O drama familiar de Calvin poderia acrescentar profundidade emocional à história, mas acaba ocupando espaço demais. O que inicialmente parece uma série de suspense e terror sobre uma ameaça misteriosa no oceano se transforma, aos poucos, em uma narrativa que insiste em conflitos pessoais e familiares, prejudicando o ritmo e a tensão. É frustrante perceber que uma ideia tão interessante acaba ficando em segundo plano.
Com apenas seis episódios, Profundezas também sofre com a falta de desenvolvimento. A história termina de maneira abrupta, com explicações que parecem superficiais diante de tantas questões levantadas ao longo da temporada. A sensação é de que faltou tempo para desenvolver os personagens, aprofundar os mistérios e construir um desfecho mais consistente. O encerramento não entrega a força que o início prometia e deixa a impressão de que muita coisa poderia ter sido melhor trabalhada.

Profundezas tinha ingredientes para ser uma ótima série: uma premissa promissora, uma ambientação sombria, um mistério envolvente e um elenco com potencial para elevar a produção. No entanto, a narrativa se perde entre dramas familiares, tramas paralelas pouco desenvolvidas e respostas apressadas.
No fim, é mais uma produção da Netflix que vende uma coisa e entrega outra. Começa muito bem, desperta curiosidade e cria expectativas, mas acaba desperdiçando boa parte do próprio potencial. São seis episódios que terminam deixando mais frustração do que satisfação, principalmente pela sensação de que a série poderia ter explorado muito mais o suspense, a criatura e os conflitos que apresentou.

