Quarto do Pânico é uma adaptação brasileira do suspense Panic Room, dirigido originalmente por David Fincher. A versão nacional é dirigida por Gabriela Amaral Almeida e acompanha a história de uma mãe e sua filha que se mudam para uma nova casa equipada com câmeras, alarmes e um sistema de segurança aparentemente impecável. Ainda assim, a casa é invadida, e as duas são obrigadas a se trancar em um quarto secreto, impossível de ser acessado depois que a porta se fecha. O problema é que os criminosos querem exatamente algo que está dentro desse quarto.

É importante deixar claro desde o início que se trata de um filme que pode causar gatilhos. Estamos falando de um assalto violento, extremamente tenso, e para quem já passou por uma situação parecida ou carrega traumas relacionados, a experiência pode ser difícil. O filme, inclusive, trabalha diretamente com o trauma inicial da protagonista, o que ajuda a entender o motivo de ela desejar uma casa tão fechada e cheia de dispositivos de segurança ao menos em teoria.
A narrativa é construída a partir de uma sucessão constante de obstáculos, tanto por parte dos assaltantes quanto das duas personagens presas no quarto. Isso faz com que o ritmo seja acelerado e mantenha a tensão praticamente o tempo inteiro. Existem, sim, algumas conveniências de roteiro e momentos em que pequenas decisões poderiam resolver conflitos com mais facilidade, mas nada disso chega a estragar a experiência geral do filme.

O longa propõe duas discussões centrais. A primeira é sobre a busca incessante por segurança uma sensação que nunca parece ser plenamente alcançada, mesmo cercados por tecnologia e sistemas de proteção. A segunda diz respeito a como o desespero pode levar pessoas a cometer atos impensáveis. Essa discussão é mais forte do ponto de vista das vítimas do que dos criminosos, já que dois deles são retratados quase como figuras caóticas, enquanto um terceiro age movido pelo desespero. Ainda assim, a empatia pende claramente para quem está sendo assaltado.
As atuações são um ponto alto do filme. Todo o elenco funciona muito bem, mas Marco Pigossi merece destaque. Ele entrega um personagem feito para ser odiado, extremamente visceral, e é impossível não sentir raiva dele em cena. É um tipo de atuação intensa que contribui bastante para o clima de ameaça constante.
Para mim, foi um filme tenso de assistir justamente porque, apesar de algumas situações mais exageradas para manter o dinamismo, muitas coisas não são tão impossíveis de acontecer. Ter a casa invadida é um medo real, coletivo, e o filme consegue acessar esse lugar de insegurança do espectador com bastante eficiência.
O espaço fechado da casa contribui muito para essa sensação de desespero. É um ambiente grande, mas vazio, com móveis e espaços que reforçam o isolamento.
No fim, Quarto do Pânico é um filme tenso e eficaz dentro da proposta. Gosto da forma como ele traz uma sensação de realidade e provoca a reflexão: até que ponto vale a pena nos prender em uma gaiola em nome da segurança? Ou, independentemente da escolha, nunca estamos realmente seguros?

